Temperatura recorde no Pacífico reacende alerta sobre El Niño forte
Fenômeno climático apresenta sinais de intensificação, com possíveis impactos globais
O aquecimento da superfície do oceano Pacífico atingiu níveis sem precedentes em setembro, aumentando as preocupações sobre a força do El Niño deste ano. Especialistas destacam a necessidade de preparação de cidades e conservação de recursos.
Segundo o observatório europeu Copernicus, em relatório divulgado nesta segunda-feira (12), uma parte do oceano Pacífico alcançou uma temperatura de superfície nunca registrada até então, em meio ao fenômeno climático El Niño, que começou em junho. A temperatura na região conhecida como Niño 3.4 atingiu 29,7°C em setembro, um valor acima de qualquer registro anterior, incluindo os grandes eventos de 1982/1983, 1997/1998 e 2015/2016. Apesar disso, o Copernicus ainda não confirmou oficialmente que esse seja o El Niño mais forte já observado, apontando que as mudanças climáticas elevam as temperaturas oceânicas, dificultando comparações exatas.
O mesmo relatório destacou que a temperatura média da superfície do mar, considerando o fenômeno, atingiu 21,05°C em setembro, ultrapassando o recorde anterior de 20,9°C registrado no mesmo período do ano passado. Além do aumento das temperaturas oceânicas, os dados indicam que o mundo vive seu segundo setembro mais quente da história, com a média da temperatura do ar nacional chegando a 16,27°C.
O El Niño, que provoca o aquecimento acima da média das águas na região da linha do Equador do Pacífico, costuma gerar efeitos severos como estiagens prolongadas, especialmente na região Norte do Brasil, além de influências no clima global. A agência climática americana NOAA anunciou na semana passada que as probabilidades de esse fenômeno se fortalecer e se tornar extremamente intenso até novembro são de 100%, o que acende um sinal de alerta para autoridades e populações vulneráveis.
Especialistas reforçam a importância de preparativos, como a organização de estratégias de defesa civil e a economia de água, para mitigar os impactos de um potencial El Niño muito forte. Ainda que o atual tenha atingido uma classificação considerada 'muito forte', ou seja, com temperaturas acima de 2°C na região, a confirmação de seu grau exato ainda depende de análises oficiais e de outros fatores que precisam ser estudados com cautela. No cenário global, o impacto de eventos extremos, inclusive na formação de furacões e tempestades tropicais, também são objetos de atenção, após a culminação de um ano sem tempestades tropicais intensas no Atlântico até o momento, algo inédito desde 1966.
Com o início do fenômeno em junho e a sua potencial intensificação, o clima global permanece em alerta, enquanto cientistas aguardam confirmações oficiais sobre o grau de severidade do El Niño atual. Os efeitos deste evento continuam a preocupar especialistas que analisam os possíveis danos ambientais e socioeconômicos, reforçando a necessidade de ações preventivas em várias regiões do planeta.
O que sabemos?
- O aquecimento da parte do oceano Pacífico atingiu 29,7°C em setembro, o maior registro até hoje.
- A temperatura média da superfície do mar atingiu 21,05°C em setembro, um recorde.
- O El Niño começou em junho e pode se tornar o mais forte já registrado, segundo especialistas.
- A probabilidade de o El Niño se fortalecer até novembro é de 100%, segundo a NOAA.
- O fenômeno costuma provocar estiagens no Norte do Brasil e efeitos climáticos globais.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





