Brasil

Desempenho em matemática no Brasil permanece estagnado, aponta Pisa 2025

Em apuração ?

Apenas 28% dos estudantes brasileiros atingem nível básico na avaliação internacional de educação

Estudantes brasileiros em sala de aula durante avaliação Pisa
Imagem: CNN Brasil

Resultados do Pisa 2025 demonstram que o Brasil mantém baixa proficiência em matemática, com poucos avanços em uma década. Especialistas indicam que o problema está na forma de ensinar e na aplicação do conteúdo na prática.

Os resultados do Pisa 2025, divulgados nesta terça-feira, revelam que apenas 28% dos estudantes brasileiros de 15 anos atingiram pelo menos o nível 2 de proficiência em matemática, considerado o patamar básico. Este índice está bastante abaixo da média dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que é de 65%. Segundo fontes da avaliação, o teste mede a capacidade do estudante de interpretar situações cotidianas sem dicas explícitas, como comparar preços, converter moedas ou compreender condições de taxas de financiamento.

Especialistas explicam que o baixo desempenho aponta para uma dificuldade que vai além de decorar fórmulas. Segundo Jalman Lima, mestre em matemática e gerente da Casio Educação, o problema está na autonomia do aluno para usar a matemática diante de problemas nunca vistos antes. “A dificuldade não está apenas em fazer contas, mas em usar a matemática de forma independente, em contextos reais”, afirmou à CNN Brasil. Ele exemplificou: um estudante consegue calcular o consumo de energia, mas não consegue interpretar por que esse consumo aumentou; multiplica parcelas, mas trava ao pensar em um financiamento com juros e entrada.

Desde 2015, o Brasil participa do Pisa, e os resultados mostram uma estabilidade preocupante: em 2018, 2022 e agora em 2025, o índice de proficiência praticamente não mudou. Apesar de diversas reformas no ensino médio e do impacto da pandemia sobre as escolas, o desempenho em matemática segue praticamente igual, o que indica que ainda há obstáculos profundos na área de educação. Apesar disso, a avaliação aponta que o Brasil não apresenta uma das maiores dificuldades enfrentadas por outros países na infraestrutura escolar: apenas 21% das escolas brasileiras relatam falta de professores, contra 39% na média da OCDE, segundo ainda não confirmado oficialmente.

No entanto, o maior desafio parece estar na sala de aula. Jalman Lima reforça que ensinar apenas a técnica, deixando de lado a aplicação prática, contribui para formar alunos que sabem executar procedimentos, mas não reconhecem quando utilizá-los. A solução, segundo ele, passa por metodologias mais contextualizadas, que envolvam o aluno em problemas organizados em etapas, levando-o a discutir estratégias de resolução. Assim, ensinar a fazer a conta e entender quando usá-la caminham juntos, numa formação mais sólida. Um dado preocupante, ainda não confirmado oficialmente, é que entre 2022 e 2025, a distância entre os 10% de estudantes com melhor desempenho e os 10% com pior desempenho cresceu, especialmente em matemática, reforçando a desigualdade no sistema de ensino brasileiro, o que pode impactar a qualidade e a equidade da educação no país.

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O que sabemos?

  • Apenas 28% dos estudantes brasileiros de 15 anos atingiram nível básico em matemática no Pisa 2025.
  • O desempenho do Brasil não melhorou em uma década, mesmo após reformas no ensino médio e pandemia.
  • Segundo fonte, a média da OCDE na mesma avaliação é de 65%.
  • A falta de professores não parece explicar o baixo desempenho, já que o Brasil tem menor porcentagem de escolas relatando esse problema em comparação com a média da OCDE.

Fontes

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