Descobertas arqueológicas no Chipre revelam ritos de oferendas na Idade do Bronze
Estudos indicam que alimentos e flores eram usados em cerimônias antigas, com possíveis funções simbólicas e práticas
Escavações na antiga cidade de Hala Sultan Heke revelaram depósitos de plantas, grãos e objetos que indicam ritos complexos realizados há mais de três mil anos na Ilha de Chipre. Os achados sugerem uma relação entre comidas, flores e o uso de fogo em cerimônias funerárias e outros momentos culturais.
Arqueólogos que investigam túmulos da Idade do Bronze, especificamente na antiga cidade de Hala Sultan Heke, localizada na costa sudeste de Chipre, descobriram uma variedade de itens que podem revolucionar o entendimento dos ritos funerários e cerimônias dessa época. Segundo uma publicação na revista Levant, entre os séculos 13 e 12 a.C., esses pesquisadores encontraram ao lado de cerâmicas, joias e outros artefatos depósitos de plantas, ervas, flores e grãos que estavam queimados, indicando uma possível relação com rituais religiosos ou culturais.
Além disso, os restos de alimentos como cevada, outros cereais, sementes de grama selvagem, azeitonas e uvas foram encontrados em diferentes locais, inclusive em um poço de assentamento. Alimentos e plantas que serviam às cerimônias parecem ter sido utilizados tanto durante os funerais quanto em encontros sociais ou festas, já que a presença de certos itens, como a camomila do milho, causa dúvidas sobre seus usos específicos. Essa planta, com flores brancas, não é considerada comestível ou medicinal, o que reforça a hipótese de que suas flores eram recolhidas deliberadamente, possivelmente para o ritual, ou mesmo que entraram na deposição devido ao acúmulo de colheitas.
Outro aspecto que intriga os pesquisadores é o uso do fogo nessas cerimônias. Antes de serem colocadas nos caixões, as plantas eram carbonizadas, embora ainda não haja consenso sobre os motivos exatos. Segundo a equipe de arqueólogos, a queima pode ter servido para limpar o espaço, mascarar odores ou ter uma função simbólica, talvez para criar uma atmosfera sensorial especial durante os ritos. Destacando esse aspecto, um vestígio de cedro resinoso foi encontrado na tumba UU, e acredita-se que ele possa ter sido utilizado para aromatizar, gerar fumaça ou efeitos visuais na cerimônia, reforçando a hipótese de que esses elementos tinham uma relevância sensorial.
Por enquanto, as investigações continuam, com os arqueólogos buscando entender melhor o papel e o significado dessas plantas e dos objetos relacionados. Segundo fontes do estudo, esses achados confirmam a antiga tese de que comidas e bebidas eram elementos presentes em rituais funerários, indicando que as pessoas deixavam refeições para os mortos ou consumiam alimentos durante reuniões fúnebres. Ainda assim, há dúvidas sobre o verdadeiro simbolismo de cada item, sobretudo em relação às flores não comestíveis e às resinas aromáticas. A descoberta reforça que, mesmo após milhares de anos, as cerimônias de homenagem aos mortos e as expressões culturais desse período carregam maior complexidade do que se imaginava, e que o uso de elementos como fogo, plantas e alimentos tinha uma forte conexão com os aspectos sensoriais, além dos práticos ou religiosos.
O que sabemos?
- Foram encontrados depósitos de plantas, grãos e flores queimados junto a túmulos do Bronze tardio em Chipre.
- Itens incluem cevada, sementes de grama, azeitonas e uvas, além de plantas não comestíveis como a camomila do milho.
- Fogo era utilizado no ritual, possivelmente para limpeza ou simbolismo, com vestígios de cedro resinoso na tumba UU.
- As ofrendas podem ter tido funções práticas e sensoriais, além de religiosas.
- Pesquisadores continuam investigando o papel dessas plantas nas cerimônias antigas.
Fontes
- Aventuras na História fonte especializada





