Desafios na educação matemática no Brasil refletem resultados internacionais pessimistas
Dados do Pisa 2025 revelam queda no desempenho brasileiro e dificuldades na aprendizagem desde as primeiras séries escolares
O Brasil apresentou sua pior pontuação em matemática no Pisa 2025, avaliando estudantes de várias partes do mundo. Especialistas explicam que a disciplina depende de conteúdos que muitas vezes ficam pelo caminho na educação pública brasileira, dificultando o aprendizado contínuo.
Os resultados do Pisa 2025, uma avaliação internacional coordenada pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mostram que o Brasil atingiu uma pontuação de apenas 377 pontos em matemática, sua pior marca entre as três áreas avaliadas. Segundo fontes da avaliação, o desempenho do país não melhorou nos últimos dez anos, permanecendo praticamente estável enquanto a média de países da OCDE caiu 22 pontos no mesmo período. Ainda não confirmado oficialmente, há relatos de que o Brasil ocupa atualmente a 71ª posição entre as economias avaliadas, o que evidencia uma dificuldade persistente na área.
Especialistas afirmam que o problema na aprendizagem de matemática começa cedo na vida escolar. Patricia Borges, gerente de impacto do Instituto Sol, em São Paulo, destacou que a proporção de estudantes da rede pública com aprendizagem adequada em matemática despenca de 50,6% no 5º ano para apenas 18,8% no 9º, segundo dados do estudo "Todos Pela Educação" com base no Saeb, avaliação nacional do Inep. Essa queda aguda indica que muitos estudantes não consolidam a base necessária ao longo dos anos iniciais, o que dificulta a compreensão de conteúdos mais avançados.
De acordo com Mateus Moratorio, gerente de educação do Instituto Sonho Grande, um aspecto crucial é o fato de que alguns conhecimentos fundamentais, como contar e entender o sistema de numeração decimal, são essenciais para avançar. Quando esses conceitos não se firmam na primeira infância, o progresso fica comprometido. Além disso, a dificuldade em matérias como divisão e frações, comum ainda no 8º ano, impede o entendimento de temas mais complexos, como equações e notação científica. Muitos estudantes chegam a essa fase com lacunas que se tornam obstáculos maiores na continuidade do aprendizado.
Outro fator relevante destacado por especialistas é a necessidade de interpretação de problema escrito, que faz parte dos exercícios de matemática. Segundo Patricia Borges, dificuldades de leitura e compreensão textuais dificultam que o aluno entenda o que é pedido na questão, antes mesmo de realizar os cálculos. Essa combinação de dificuldades de leitura e aspectos emocionais — como a ansiedade diante da matéria — contribui para que muitos estudantes acumulem experiências negativas com a disciplina. Moratorio observa que esses jovens, ao se depararem repetidamente com dificuldades, podem desenvolver um receio precoce, levando-os a atribuir à falta de talento o fracasso aparente.
O quadro reforça a ideia de que a matemática é uma das disciplinas mais dependentes de conteúdos anteriores, e sua dificuldade é fruto de um ciclo que começa nas etapas iniciais da escolaridade. Falta de uma base sólida, dificuldades de interpretação e fatores afetivos criam um cenário desafiador que reflete a persistente baixa performance do Brasil em avaliações internacionais, colocando em xeque o futuro do aprendizado nessa área crucial.
O que sabemos?
- Brasil somou 377 pontos em matemática no Pisa 2025
- Desempenho em matemática praticamente não mudou nos últimos 10 anos
- A proporção de estudantes com aprendizagem adequada em matemática cai de 50,6% no 5º ano para 18,8% no 9º
- A avaliação do Saeb mostra o problema começa cedo na vida escolar
- Dificuldade de leitura e interpretação também impactam o aprendizado matemático
Fontes
- CNN Brasil imprensa





