Brasil

Estudo revela como um crustáceo do fundo do oceano consegue sobreviver até cinco anos sem se alimentar

Em apuração ?

Pesquisadores explicam o mecanismo genético que permite a esses animais extremos ambientes marinhos

Ilustração de um isópode de fundo oceânico com corpo achatado e várias patas
Imagem: Revista Galileu

A pesquisa identificou um gene responsável pela adaptação de isópodes de águas profundas, possibilitando que sobrevivam longos períodos de escassez de alimento.

Um estudo recente conduzido por especialistas do IOCAS, da Universidade Chinesa de Hong Kong e da Universidade Politécnica do Noroeste revelou detalhes surpreendentes sobre a resistência de certos crustáceos, conhecidos como isópodes, que vivem nas profundezas do oceano. Segundo a fonte, eles podem permanecer até cinco anos sem se alimentar, uma habilidade que intriga os biólogos há tempos.

O destaque do estudo foi a identificação de um gene chamado ND1, responsável por incorporar uma bactéria ao DNA desses animais. Essa bactéria age como um regulador do metabolismo, fazendo com que o crustáceo minimize seu gasto energético em ambientes onde a comida chega de forma extremamente irregular. "Nosso trabalho não apenas decifra com sucesso o mistério da tolerância à inanição de longa duração em isópodes de águas profundas, mas também fornece um paradigma importante para entender como a vida equilibra crescimento e sobrevivência em ambientes extremos", afirmou Jianbo Yuan, pesquisador do IOCAS e primeiro autor do artigo, em entrevista à agência de notícias estatal Xinhua.

Os isópodes analisados representam espécies de corpos achatados, protegidos por um exoesqueleto rígido, que possuem até 14 patas e podem atingir até 50 centímetros de comprimento. Entre as espécies estudadas, Bathynomus jamesi, localizada a cerca de 900 metros no Mar da China Meridional, e Bathynomus doederleini, a aproximadamente 300 metros no Mar da China Oriental, mostraram adaptações diferentes às condições de suas regiões de origem. A comparação entre esses crustáceos ajudou os pesquisadores a compreenderem como suas estratégias de sobrevivência variam de acordo com a profundidade e disponibilidade de alimento.

A ambientação nas profundezas do oceano, caracterizada por noite perpétua, enorme pressão e alimentação irregular, leva esses animais a desenvolverem uma estratégia de 'ganhar mais, gastar menos'. Essa tática inclui um estômago que pode representar até dois terços do seu corpo, atuando como um armazém de alimentos. Assim, eles podem fazer uma única refeição durar anos, armazenando gordura e usando a energia lentamente, compatível com o seu metabolismo extremamente lento. Além disso, bactérias do grupo Chlamydiae, que vivem no estômago desses crustáceos, parecem colaborar nesse sistema de armazenamento de energia, formando uma relação que beneficia ambos: o animal e as bactérias, como explicou Yuan. Ainda não há confirmação oficial de que todo o mecanismo seja semelhante em todas as espécies de águas profundas, e o estudo ainda aguarda validações adicionais.

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O que sabemos?

  • O estudo foi conduzido pelo IOCAS, Universidade de Hong Kong e Universidade Politécnica do Noroeste.
  • Foi identificado o gene ND1, que ajuda na adaptação à escassez de alimentos.
  • Isópodes de águas profundas podem viver até cinco anos sem se alimentar.
  • Duas espécies analisadas: Bathynomus jamesi e Bathynomus doederleini.
  • O órgão do animal, semelhante a um armazém, permite consumir e armazenar muita comida de uma só vez.

Fontes

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