Brasil

Declínio na relação dos estudantes com a escola entre os anos finais do fundamental

Em apuração ?

Aumento da violência e perda de vínculo impactam o bem-estar dos alunos, aponta estudo

Estudantes no pátio escolar com expressões de preocupação e reflexão.
Imagem: Folha de S.Paulo

Relatório revela que o sentimento de felicidade dos estudantes cai pela metade entre o 4º e 7º anos, enquanto a exposição à violência mais que dobra. Diretores alertam para o risco do enfraquecimento da convivência escolar.

Um estudo recente realizado pela organização Great Place to Study Brasil revelou um preocupante quadro de queda na relação dos estudantes com a escola durante os anos finais do ensino fundamental. Segundo a terceira edição do relatório anual de Saúde Mental & Bem-Estar Escolar, a porcentagem de alunos que se sentem felizes e empolgados ao ir para a escola caiu de quase 80%, no início do fundamental, para pouco mais de 50% no final dessa fase. Em contrapartida, o levantamento identificou que a exposição à violência, incluindo episódios de bullying, quase dobrou, saindo de 16,6% para 39% no mesmo período.

O estudo ouviu cerca de 90 mil participantes, entre estudantes, familiares e educadores, com coleta de dados realizada de agosto de 2025 a agosto de 2026. Segundo o relatório, essa mudança no vínculo com a escola indica uma perda do apelo que a instituição tinha nos anos iniciais, tornando-se um ambiente cada vez mais distante e menos acolhedor para os jovens. Os números revelam ainda que, entre estudantes do 8º ano e do 3º ano do ensino médio, 57% relatam bullying frequente ou violência normalizada no dia a dia, enquanto 40,6% dizem que não se sentem valorizados pela escola e 40,1% apontam que os professores não parecem se importar com seus sentimentos.

Dados adicionais apontam que a percepção de proteção diminui ainda mais em ambientes onde a violência é mais presente: 27% dos alunos em contextos de baixa violência frequentam a escola apenas por obrigação, enquanto esse índice sobe para 60% nos locais com alta incidência de violência. João Hoeppner, diretor da organização, comentou que a relação dos estudantes com a escola tende a se deteriorar com o tempo, especialmente à medida que a atenção se volta para o conteúdo curricular e preparação para o vestibular. Segundo ele, o foco excessivo no desempenho acadêmico contribui para o esvaziamento do aspecto coletivo e da convivência, tornando o ambiente escolar mais frio e distante.

Hoeppner destacou também o papel dos colegas na perpetuação da violência e a importância de as escolas trabalharem a conscientização dos estudantes que assistem a esses episódios. “O principal trabalho que as escolas precisam fazer é um despertar, uma provocação em relação à consciência da plateia. Se não tem plateia, não tem show”, afirmou. Ele sugeriu que campanhas contra bullying possam ganhar reforço se forem lideradas pelos próprios alunos, reforçando a ideia de que a participação dos pares é fundamental para uma mudança efetiva nesse cenário. Marina Ribeiro, diretora de comunidade da mesma organização, reforça que ações entre estudantes podem favorecer o desenvolvimento de uma cultura de maior empatia e respeito dentro do ambiente escolar, além de ajudar a diminuir o impacto da violência na saúde mental dos alunos.

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O que sabemos?

  • A parcela de estudantes que se sentem felizes na escola cai de 79,9% para 50,8% entre o 4º e o 7º ano.
  • Exposição à violência mais que dobra no mesmo período, de 16,6% para 39%.
  • 57% dos estudantes do 8º ano e do ensino médio relatam bullying frequente ou violência física normalizada.
  • 40,6% não se sentem valorizados pela escola.
  • 40,1% dizem que professores não se importam com seus sentimentos.
  • 40% das vítimas de bullying não acreditam na ação da escola.
  • Em ambientes de alta violência, 60% dos estudantes frequentam a escola apenas por obrigação.
  • O diretor João Hoeppner destaca que a relação com a escola tende a diminuir com o avanço dos anos.
  • Campanhas contra bullying podem ser mais efetivas quando lideradas pelos próprios estudantes.

Fontes

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