Câmeras em banheiros de escola no Paraná provocam afastamento de direção e protestos de estudantes
Aluna diz que se sentiu invadida após descoberta de equipamento na propriedade da instituição
A Secretaria de Educação do Paraná anunciou o afastamento da direção do Colégio Estadual Cívico-Militar Érico Veríssimo, em Cambé, após a revelação de câmeras instaladas no banheiro feminino. Estudantes relataram que a direção alegava que os aparelhos eram sensores de fumaça, mas a descoberta gerou protestos e uma investigação policial está em andamento.
Na cidade de Cambé, no Norte do Paraná, uma situação polêmica envolvendo a instalação de câmeras em banheiro de uma escola estadual mobilizou estudantes, professores e autoridades. Segundo informações divulgadas pela Secretaria de Educação do Paraná (Seed-PR), uma câmera foi encontrada no banheiro feminino do Colégio Estadual Cívico-Militar Érico Veríssimo na última segunda-feira (19), levando a uma resposta imediata da instituição e do órgão responsável pela educação no estado.
A estudante Alessa Gabriele, que faz parte do grupo de alunos que fez a denúncia, afirmou que ao perceber o equipamento, decidiu examiná-lo mais de perto e descobriu o dispositivo gravando imagens. Ela declarou: “Me senti invadida”. As estudantes também relataram que, até então, a direção alegava que a câmera era um sensor de fumaça, justificativa que não convenciam as alunas, que não receberam qualquer autorização ou termos que permitissem a gravação de imagens nos banheiros. Além disso, a escola informou que as câmeras enfocavam apenas as portas de entrada dos ambientes, mas essa justificativa não foi suficiente para acalmar as preocupações dos estudantes.
Diante da denúncia, a Seed-PR determinou a retirada imediata das câmeras e afirmou que uma comissão foi instaurada para apurar todas as circunstâncias da instalação e definir os próximos passos. Ainda segundo a secretaria, uma vistoria foi realizada na escola após a denúncia, e nenhuma outra câmera foi encontrada nos banheiros ou em locais semelhantes. O órgão também destacou que uma investigação policial está em andamento para esclarecer o caso, embora ainda não tenha confirmado oficialmente detalhes específicos acerca da autoria ou motivação por trás da ato.
Roni Miranda, secretário de Estado da Educação, afirmou em comunicado que “é uma questão óbvia de não colocar câmera dentro do banheiro, já temos leis federais sobre isso”, reforçando a postura de que a instalação de câmeras em instalações sanitárias viola princípios básicos de privacidade e legislação vigente. Até o momento, o colégio não se pronunciou oficialmente sobre possíveis sanções ou medidas disciplinares relacionadas ao episódio, e o segredo sobre a autoria do ato permanece. O incidente levanta debates sobre privacidade, limites no uso de tecnologia por instituições de ensino e o direito dos estudantes à privacidade dentro da escola, especialmente em áreas consideradas íntimas como os banheiros.
O que sabemos?
- Câmera foi encontrada no banheiro feminino do colégio em Cambé na segunda-feira (19).
- Estudantes relataram que a direção da escola alegava que o equipamento era um sensor de fumaça.
- As alunas disseram que não assinaram nenhum termo de autorização para a gravação de imagens.
- A Secretaria de Educação do Paraná afastou a direção da escola após a descoberta.
- Uma comissão foi criada para apurar o caso e uma investigação policial foi iniciada.
Fontes
- CNN Brasil imprensa
- G1 imprensa
- UOL Notícias imprensa




