Cuidado ao pagar com QR Code: golpes de desvio de pagamentos no Brasil
Fraudes fictícias crescem com uso de códigos adulterados em compras e boletos
Criminosos estão usando QR Codes falsificados para enganar consumidores e desviar valores de pagamentos por Pix, boletos e compras online, alerta a Febraban.
Uma nova modalidade de golpe tem chamado atenção dos bancos e consumidores em todo o Brasil. Segundo a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), criminosos têm utilizado QR Codes adulterados para desviar pagamentos feitos por Pix, boletos impressos e até em estabelecimentos físicos, como restaurantes, feiras e estacionamentos. O método, conhecido como "quishing", expõe uma vulnerabilidade que muitas pessoas ainda não percebem na hora de concluir uma transação digital.
De acordo com a entidade, o golpe ocorre quando o código verdadeiro do estabelecimento é substituído por um falso, por exemplo, através de adesivos colados sobre o código original ou pela manipulação de páginas de comércio eletrônico na internet. Ao escanear o QR Code, que deveria direcionar o pagamento ao fornecedor legítimo, o consumidor acaba enviando o dinheiro para uma conta controlada pelos criminosos, tudo isso muitas vezes sem perceber até que o valor já tenha sido transferido.
Segundo um representante da Febraban, “antes de concluir qualquer pagamento por QR Code, é fundamental conferir os dados exibidos pelo aplicativo da instituição financeira, principalmente o nome do recebedor e o valor da transação. Essa simples verificação pode revelar uma adulteração antes que o dinheiro seja transferido”. Essa orientação visa alertar os consumidores sobre a importância de conferir detalhadamente as informações antes de autorizar qualquer transação digital, principalmente com o método do Pix, que realiza transferências instantâneas.
Na prática, se alguém escanear um QR Code adulterado, o pagamento será processado como um Pix normal, ou seja, o dinheiro será transferido imediatamente, sem a possibilidade de cancelamento imediato, como acontece nos tradicionais pagamentos por boleto ou com cartão. A recomendação da Febraban é que, ao perceber que pode ter sido vítima de uma fraude, a pessoa entre em contato imediatamente com o banco para solicitar a contestação da transação, além de registrar boletim de ocorrência e guardar todos os registros possíveis da fraude — como prints de tela, boletos e mensagens.
Para casos de Pix, existe o Mecanismo Especial de Devolução (MED), uma ferramenta disponibilizada pelo Banco Central que permite ao consumidor solicitar a recuperação do valor transferido em até 80 dias após a operação fraudulenta. O processo consiste na análise do banco e, se comprovada a fraude, o dinheiro pode ser devolvido parcialmente ou na sua totalidade. Contudo, caso os criminosos já tenham retirado os recursos e não haja saldo suficiente nas contas envolvidas, a vítima pode não recuperar o valor integral, o que reforça a necessidade de atenção na hora de validar os pagamentos.
Embora essa prática ainda não tenha sido confirmada oficialmente por outras fontes além da Febraban, o alerta é claro: a atenção na hora de escanear QR Codes, tanto em ambientes físicos quanto digitais, é a melhor defesa contra esse tipo de golpe que vem crescendo no país. A orientação é simples, mas fundamental: sempre confirme o recebedor, o valor e o site ou documento antes de concluir uma transação financeira digital.
O que sabemos?
- Crescimento de golpes com QR Code adulterado no Brasil
- Fraude ocorre em estabelecimentos físicos, e-commerce e boletos impressos
- Verificação do nome do recebedor e valor é essencial antes de pagar
- Pix realiza transferências instantâneas que dificultam o cancelamento
- Mecanismo Especial de Devolução (MED) permite tentativa de recuperação do valor
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa




