Brasil

Por que a cachaça brasileira ainda tem espaço para crescer no mercado mundial

Em apuração ?

Apesar de ser símbolo nacional, exportações da bebida permanecem pequenas em relação a outros destilados internacionais

Garrafas de cachaça em uma barbearia tradicional do Brasil
Imagem: CNN Brasil

No Dia Nacional da Cachaça, setor busca ampliar sua presença internacional após anos de valorização no Brasil. Ainda que o consumo interno evolua, as exportações continuam modestas, destacando o desafio de consolidar a cachaça como produto global.

Celebrado neste domingo (13), o Dia Nacional da Cachaça traz à tona uma questão que ainda permeia o setor: por que a bebida brasileira ainda exporta relativamente pouco? Apesar de ser uma das bebidas mais tradicionais e carregadas de história no Brasil, a cachaça permanece com uma presença marcada por números modestos no mercado internacional. Segundo o Anuário da Cachaça 2026, do Ministério da Agricultura e Pecuária, a produção nacional de 2025 atingiu 234,4 milhões de litros, dos quais apenas 7,95 milhões de litros foram destinados à exportação. Essas exportações, realizadas para 76 países, movimentaram cerca de US$ 17 milhões, valor bastante inferior ao de destilados como a tequila, que movimentou US$ 4,3 bilhões no mesmo período, conforme o CRT (Conselho Regulador del Tequila).

Segundo Vicente Bastos, presidente do IBRAC (Instituto Brasileiro da Cachaça), a cachaça ainda é vista como uma 'promessa' no mercado internacional. Em entrevista, ele destacou que ampliar a presença da bebida no exterior exige mais esforço de promoção, distribuição e investimentos, assim como uma maior educação do consumidor global, que ainda conhece pouco o produto. Apesar do pequeno espaço externo, Bastos afirma que o setor vem passando por uma transformação no Brasil, onde a tradicional cachaça vem ganhando destaque com produtos envelhecidos, de maior valor agregado, e espaço na alta coquetelaria, além de um aumento na quantidade de estabelecimentos registrados — são mais de 1.538 em 844 municípios, segundo o mesmo relatório.

O movimento de renovação também envolve a chegada de grandes empresas ao segmento premium, ainda que este segmento represente menos de 10% do mercado doméstico. Segundo Bastos, isso reflete uma mudança de comportamento do consumidor: ele passa a consumir menos, mas opta por produtos de melhor qualidade. Ainda assim, a quantidade de produtos de maior valor agregado no mercado brasileiro é relativamente pequena, uma característica que pode ser uma oportunidade para ampliar a competitividade internacional da cachaça brasileira — se o país conseguir superar a barreira do reconhecimento e da valorização global.

O setor, portanto, se encontra em um momento de potencial crescimento, mas ainda enfrenta obstáculos importantes para consolidar a cachaça como uma verdadeira marca global. Com um histórico que mistura tradição, cultura e inovação, a bebida carrega uma identidade forte, mas precisa de mais estratégias de posicionamento internacional para rivalizar com outros destilados de grande valor de mercado. Como o próprio setor tem destacado, essa história de dificuldades e potencial se soma ao que ainda precisa ser feito para que a cachaça, símbolo ambivalente do Brasil, conquiste também um espaço merecido fora das fronteiras nacionais.

Publicidade

O que sabemos?

  • Em 2025, o Brasil produziu 234,4 milhões de litros de cachaça.
  • A exportação de cachaça alcançou 7,95 milhões de litros, movimentando US$ 17,07 milhões.
  • O Brasil exportou para 76 países.
  • As exportações de tequila chegaram a US$ 4,3 bilhões em 2025.
  • Segundo o presidente do IBRAC, a cachaça ainda é uma 'promessa' no mercado internacional.

Fontes

Publicidade