Brasil já teve 28 indicações ao Nobel, mas nunca conquistou a premiação, revela análise
Apesar de avanços e reconhecimento internacional, país ainda busca seu primeiro Nobel em história de mais de 120 anos
Ao longo de mais de um século de história, o Brasil foi indicado 28 vezes ao Nobel, principalmente na área de paz, mas nunca levou a premiação. As indicações incluem nomes e instituições relevantes, porém fatores como reconhecimento internacional ainda parecem desafiar o país.
Apesar de sua vasta produção científica e dedicação em diversas áreas, o Brasil nunca conseguiu levar um Nobel para casa. Segundo uma análise do portal G1, que examinou registros da Fundação Nobel desde 1901, o país teve ao menos 28 nomes indicados ao prêmio ao longo de seus 125 anos de história. Essas indicações envolveram 27 pessoas e uma instituição, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, que foi sugerido ao Nobel da Paz em 1924.
As áreas com maior volume de indicações brasileiras incluem as ciências e, sobretudo, o Nobel da Paz. No total, 13 nomes ligados ao Brasil concorreram na categoria de paz, enquanto poucos outros chegaram a ser considerados nas categorias de física, medicina e química. Entre os nomes mais conhecidos na ciência estão os pesquisadores Carlos Chagas, que em 1909 descreveu a doença que leva seu nome, e Cesar Lattes, que ajudou a descobrir o méson pi em 1947. Ainda assim, essas conquistas não resultaram em um prêmio oficial, embora tenham sido reconhecidas internacionalmente.
Segundo Helena Nader, presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), a ausência de honrarias ao Brasil pelo Nobel não reflete a qualidade da pesquisa produzida no país. Ela argumenta que o prêmio ainda é tendencioso ao valorizar descobertas feitas no eixo do que ela chama de Sul Global, onde o Brasil está inserido. Ainda assim, ela aponta que o próprio país já contribuiu de forma significativa para pesquisas que, por ora, não foram reconhecidas pelo comitê do Nobel.
O levantamento também revela que nomes de pesquisadores naturalizados ou que atuaram no Brasil foram indicados ao Nobel. Exemplos incluem o físico americano David Bohm, que lecionou na Universidade de São Paulo, e o bioquímico francês René Wurmser, que trabalhou no Rio de Janeiro. Ainda, o austríaco Fritz Feigl, que fugiu do nazismo e se naturalizou brasileiro, também figura na lista de indicados.
As indicações ao prêmio permanecem em sigilo por 50 anos, dificultando a confirmação de novas indicações após 1975. Ainda assim, estudos indicam que mais de 200 vezes nomes ligados ao Brasil entraram na disputa pelo Nobel, seja por indicações feitas por pesquisadores, instituições ou comitês. Algumas dessas indicações vêm de profissionais que atuaram no país, reforçando a ideia de que a pesquisa brasileira tem potencial reconhecido, mesmo sem a conquista do prêmio, até o momento.
Para Helena Nader, o fato de o Brasil ainda não ter conquistado um Nobel não é reflexo de falta de qualidade, mas sim das limitações do sistema de reconhecimento internacional. Ela ressalta que o comitê tende a não reconhecer integralmente o impacto das descobertas feitas fora do eixo dominante, especialmente na América Latina, onde muitos avanços relevantes ocorrem. Portanto, o silêncio da premiação não diminui a relevância do trabalho feito por vários pesquisadores brasileiros, como exemplificado por Carlos Chagas, que delineou de forma completa e pioneira a doença que leva seu nome.
O que sabemos?
- Brasil já teve 28 indicações ao Nobel desde 1901.
- Indicações envolvem 27 pessoas e uma instituição, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.
- Maior número de indicações é na categoria de paz, com 13 nomes.
- Nomes como Carlos Chagas e Cesar Lattes são alguns dos mais conhecidos na ciência brasileira.
- O Nobel ainda não reconheceu oficialmente a contribuição científica do Brasil, apesar de sua pesquisa de ponta.
Fontes
- G1 imprensa





