Biólogos encontram a jiboia mais rara do mundo na Mata do Ribeira em São Paulo
Descoberta marca um avanço na preservação de uma espécie considerada extinta há mais de 60 anos
Após anos de buscas e ações de conservação, uma equipe de biológos encontrou uma jiboia endêmica da Mata Atlântica, que é considerada a mais rara do planeta. A descoberta ocorreu em um projeto no Vale do Ribeira e representa esperança para a preservação da espécie.
Em uma região rural do município de Sete Barras, no Vale do Ribeira, em São Paulo, uma equipa de biológos fez uma descoberta histórica: o primeiro exemplar vivo da jiboia-do-Ribeira (Corallus cropanii) desde sua descrição oficial, realizada em 1953. Segundo informações obtidas de uma fonte ligada ao projeto, essa espécie é considerada a mais rara do mundo, com pouquíssimos registros ao longo de mais de seis décadas.
A descoberta aconteceu em outubro de 2016, após intenso trabalho de comunicação com os moradores locais. Segundo um dos integrantes do projeto, o aviso chegou até Bruno Rocha, de 43 anos, cofundador do Projeto Jiboia do Ribeira (PJR), que relatou: "Olha, tem uma cobra aqui que acho que é a que vocês estão procurando". A cobra foi encontrada na comunidade Guapiruvu, uma área de mata atlântica em ambiente rural na região do Vale do Ribeira, que abrange 22 municípios no sul de São Paulo.
Ressaltando a importância da captura, uma das biólogas envolvidas na iniciativa, Daniela Gennari, de 37 anos, explicou que a espécie possui coloração que combina um ventre amarelo com um padrão de escamas dorsais em triângulo, negras e marrons. Trata-se de uma serpente não peçonhenta, pertencente à família dos boídeos, a mesma das jiboias maiores e das sucuris, e que possui hábitos arbóreos, tendo seu habitat restrito à mata atlântica do Vale do Ribeira.
Segundo Gennari, a raridade da espécie se explica pelas poucas ocorrências registradas após a sua descrição. De 1953 até 2016, apenas seis espécimes haviam sido encontrados, todos mortos. Porém, desde a início da iniciativa de pesquisa na região, mais de 20 novos registros vivos foram feitos, um avanço considerado enorme por especialistas. Ainda assim, o projeto não confirmou se a cobra encontrada em 2016 é uma fêmea ou um macho, nem se ela é um exemplar saudável e reprodutível, ponto que a equipe ainda busca esclarecer.
Embora ainda não confirmada oficialmente, a esperança é de que a descoberta possa dar esperança de que a espécie esteja mais presente na Mata do Ribeira do que se pensava, o que reforça a importância de esforços de preservação e monitoramento. Ainda não há um pronunciamento oficial do instituto ou órgão ambiental sobre o caso, e as ações de proteção continuam sendo prioridade para evitar o desaparecimento dessa que é, possivelmente, a jiboia mais rara do mundo.
O que sabemos?
- Primeiro exemplar vivo da jiboia-do-Ribeira desde 1953 foi encontrado em 2016.
- A espécie é considerada a mais rara do mundo, com poucos registros históricos.
- A descoberta ocorreu após trabalho de comunicação com moradores locais.
- A espécie é endêmica da mata atlântica do Vale do Ribeira, em São Paulo.
- Há mais de 20 registros de exemplares vivos desde 2016, em oposição aos poucos achados anteriores.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa
- UOL Notícias imprensa


