Baixa diversidade de professores pretos, pardos e indígenas na Universidade de São Paulo
Dados de 2025 revelam que apenas 4,3% do quadro docente superior é formado por esses grupos raciais e étnicos.
Segundo o Anuário Estatístico da USP, poucos professores pretos, pardos e indígenas alcançam posições de destaque na universidade, refletindo um cenário de desigualdade que preocupa gestores e estudantes.
A Universidade de São Paulo (USP) apresenta um baixo índice de diversidade racial e étnica entre seus professores mais graduados, de acordo com dados recentes do Anuário Estatístico da instituição, referentes ao ano de 2025. Conforme revela o levantamento, apenas 4,3% do total de docentes, que inclui professores titulares, associados e doutores, se declaram pretos, pardos ou indígenas. Entre os 1.091 professores que atingiram o topo da carreira acadêmica, o número de pretos é de apenas cinco, enquanto dez se identificam como pardos e um, indígena. Esses grupos, juntos, representam apenas 1,5% dos docentes em posições de destaque.
Ao detalhar a composição do quadro docente, o levantamento aponta que, considerando o total de 5.482 professores, há 62 pretos, 167 pardos e cinco indígenas, o que equivale a uma proporção de 4,3%. Ainda de acordo com os dados, pretos, pardos e indígenas correspondem a 6,3% dos professores doutores, primeiro nível da carreira, 3,6% dos que ocupam cargos de professor associado e 1,5% daqueles na posição de professor titular. Destes últimos, 93,9% se declaram brancos, ou seja, 1.024 professores.
A universidade também destacou que, nos últimos concursos realizados para contratação de docentes, a aprovação de candidatos pretos e pardos foi de 14,8%. Ainda assim, a gestão do reitor Aluísio Segurado afirmou estar discutindo melhorias e ajustes na política de ações afirmativas, com o objetivo de ampliar a diversidade racial na instituição. Essas ações visam alinhar a composição do quadro de professores com o perfil dos estudantes de graduação, que representam 25,6% de pretos, pardos e indígenas, além de buscar refletir a diversidade da população de São Paulo, onde essas populações representam cerca de 41,1%, segundo o Censo de 2022.
Entretanto, a disparidade entre o perfil racial dos docentes e o da comunidade acadêmica ainda é visível, indicando um desafio a ser enfrentado pela universidade. A adoção de uma política de ações afirmativas em maio de 2023 mostra a tentativa de reduzir essa desigualdade, mas os números continuam retratando uma realidade de pouca representatividade de grupos racializados na elite acadêmica. Essa questão, que envolve interesses e políticas públicas de inclusão, ganha destaque na discussão sobre equidade racial no Brasil.
O que sabemos?
- Apenas 4,3% do quadro docente da USP é formado por pretos, pardos e indígenas.
- Somente cinco professores pretos atingiram o nível de professor titular em 2025.
- Nos últimos concursos, 14,8% dos aprovados para docentes de raça racial minoritária eram pretos ou pardos.
- Pretos, pardos e indígenas representam 25,6% dos estudantes de graduação na USP.
- A política de ações afirmativas foi adotada em maio de 2023 para aumentar a diversidade na contratação de professores.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa
- UOL Notícias imprensa




