Brasil

Mistério das tumbas etruscas dos Demônios Azuis é desvendado após mais de dois milênios

Em apuração ?

Pesquisadores usam inteligência artificial para entender experiências sensoriais em sepulturas antigas

Imagem: Aventuras na História

Tumbas da antiga civilização etrusca, datadas do século V a.C., mostram como rituais funerários provocavam percepções sensoriais intensas nos visitantes.

Pesquisadores revelaram detalhes sobre o impacto sensorial de duas tumbas etruscas, conhecidas como Tomba del Gallo e Tomba dei Demoni Azzurri, na Itália. Essas estruturas, construídas no século 5 a.C., antes da expansão do domínio romano, apresentavam características que influenciavam profundamente as percepções de quem as visitava. Segundo informações de uma fonte especializada, o estudo, conduzido por Maurizio Forte, da Universidade Duke, e Jacqueline Ortoleva, da Universidade de Oxford, utilizou inteligência artificial para reconstruir como os rituais e as arquiteturas dessas tumbas produziriam experiências sensoriais únicas.

De acordo com a fonte, na cultura etrusca, a morte não era vista como um evento de transição instantânea, mas como um processo complexo, divido em etapas. A passagem do espírito para o além envolvia separação do corpo, uma viagem simbólica e um encontro com os ancestrais, sendo que os rituais tinham grande papel nesse percurso. Para facilitar essa transformação, os vivos realizavam práticas com música, dança e atos eróticos, e as tumbas eram planejadas para criar ambientes que amplificassem esses momentos. A Tomba del Gallo, por exemplo, possui uma pequena câmara acessada por um corredor inclinado — o dromos — que se estreita à medida que se aproxima do espaço interno. As paredes, decoradas com cenas de banquetes e celebrações, além de revestidas com argamassa, reforçam esse ambiente festivo e cerimonial.

Os pesquisadores destacaram que o efeito acústico dessas decorações, combinadas com o formato do corredor que refina e concentra os sons, além de favorecer a reverberação, contribuíam para uma experiência sensorial mais intensa. A iluminação também desempenhava papel crucial, já que velas feitas de cera de abelha ou sebo — cuja fumaça ajudava na criação de sombras e movimentos — projetava sombras nas paredes pintadas, dando a impressão de que as figuras retratadas estavam se movimentando. Já a Tomba dei Demoni Azzurri — nome dado por causa das criaturas de pele azul representadas em suas paredes — parece ter oferecido uma experiência ainda mais intensa, possivelmente devido à presença dessas figuras vibrantes e às cerimônias tradicionais que, segundo vestígios, provavelmente ocorriam no local.

Autoridades ainda não confirmaram oficialmente os detalhes completos dessas experiências, pois as informações vêm de uma matéria divulgada pela revista Aventuras na História, e aguardam validação por outras fontes acadêmicas. O estudo, no entanto, reforça a ideia de que os antigos etruscos tinham uma visão elaborada da morte, com rituais que envolviam sentidos para ajudar na jornada do espírito. Ainda não se sabe se essas experiências sensoriais eram intencionais ou uma consequência da arquitetura, mas o que se tem claro é que essas tumbas, — construídas há mais de 2.400 anos —, continuam a despertar a curiosidade sobre a cultura e as práticas espirituais de uma civilização que precedeu Roma.

Publicidade

O que sabemos?

  • Pesquisadores usaram inteligência artificial para analisar tumbas etruscas.
  • As tumbas foram construídas no século 5 a.C., antes da expansão romana.
  • Elas tinham características que provocavam experiências sensoriais nos visitantes.
  • A cultura etrusca via a morte como um processo dividido em etapas com rituais específicos.

Fontes

Publicidade