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Venezuela desbloqueia sites de notícias após anos de censura antes de nova rodada de negociações política

Informações checadas ?

Decisão acontece pouco antes do início de diálogos apoiados pelos Estados Unidos em Caracas

Tela de computador exibindo sites de notícias venezuelanos acessíveis
Imagem: Folha de S.Paulo

Diversos veículos de comunicação que estavam bloqueados na Venezuela há anos foram acessíveis nesta quinta-feira (17), em meio às negociações entre o governo e a oposição. A medida visa, entre outros temas, discutir a liberdade de expressão.

Na manhã desta quinta-feira (17), a Venezuela anunciou, por meio da sua agência reguladora de telecomunicações, o desbloqueio de diversos sites de notícias que estavam censurados no país há vários anos. Entre os sites reabilitados estão nomes notórios como El Nacional, Efecto Cocuyo, El Pitazo, Runrunes e TalCual, além do portal internacional NTN24, que apresentou instabilidade na acessibilidade.

A decisão veio poucas horas antes do início de uma nova rodada de negociações políticas entre o governo interino e a oposição, que ocorre em Caracas e conta com apoio dos Estados Unidos. Segundo informações da própria Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel), o objetivo é o "restabelecimento formal do acesso a diversas plataformas e veículos de comunicação digitais nacionais e internacionais". Ainda assim, a organização VE Sin Filtro registra que, atualmente, existem 188 sites bloqueados na Venezuela, indicando que a liberação parcial não representa uma retomada total da liberdade de imprensa no país.

Especialistas e organizações de direitos digitais há anos denunciam o bloqueio de sites como uma forma de censura estatal. Para contornar o bloqueio, usuários venezuelanos muitas vezes recorriam a VPNs, sigla em inglês para Redes Virtuais Privadas, que mascaram o endereço IP e criptografam a conexão, permitindo o acesso a conteúdos bloqueados localmente — recurso que foi confirmado por testemunhos na quinta-feira, como o do site NTN24.

Segundo fontes, a liberação dessas plataformas ocorre num momento em que o governo tentava também abrir espaço para discutir questões como liberdade de expressão na mesa de diálogo. O vice-ministro Gustavo Villapol declarou que uma mudança na relação com a imprensa está na pauta, enquanto a líder opositora María Corina Machado usou a evento para denunciar a prisão do ex-prefeito de Torres, Javier Oropeza, que havia retornado ao país dois dias antes. Ainda não há confirmação oficial de se a liberação de sites e o diálogo estão conectados diretamente, ou se essa foi uma medida pontual do governo.

Este movimento é visto por especialistas como um passo potencial para uma maior transparência na cobertura de notícias na Venezuela, mas também levanta questões sobre a real intenção por trás da decisão. Ainda não há informações de quanto tempo esses sites permanecerão acessíveis, nem se novas liberações estão previstas. O governo venezuelano ainda não se pronunciou oficialmente sobre possíveis mudanças na política de censura na internet, deixando o tema no campo das análises e especulações.

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O que sabemos?

  • Diversos sites de notícias foram desbloqueados na Venezuela nesta quinta-feira (17).
  • A decisão foi anunciada pela agência reguladora de telecomunicações do país.
  • A liberação ocorreu horas antes de uma nova rodada de negociações políticas entre o governo e a oposição.
  • Sites como El Nacional, Efecto Cocuyo, El Pitazo, Runrunes e TalCual ficaram acessíveis novamente.
  • Ainda há 188 sites bloqueados no país, segundo organização de direitos digitais.

Fontes

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