Uso da inteligência artificial nas escolas de ensino médio brasileiras gera debate, mas ainda carece de regulamentação clara
Maioria das escolas já permite o uso de IA, mas limitações na governança preocupam especialistas
Mais da metade das escolas de ensino médio no Brasil usam IA generativa com pouca orientação formal, enquanto debates sobre impactos na saúde mental e no comportamento dos alunos se intensificam.
Um levantamento recente revela que a maioria das escolas de ensino médio no Brasil já permite o uso de inteligência artificial (IA) pelos estudantes, porém, o país ainda está pausado na criação de regras claras sobre sua utilização. Segundo dados da pesquisa TIC Educação 2025, divulgada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), mais de 50% das instituições de ensino já adotam recursos de IA generativa, como chatbots e assistentes virtuais, na rotina escolar. Contudo, apenas 22% delas possuem diretrizes formalizadas de boas práticas, o que levanta preocupações quanto à gestão dessa tecnologia.
Essa adoção acelerada mobiliza debates internos nas escolas; o mesmo estudo aponta que oito em cada dez instituições discutem formalmente o impacto do uso de telas e tecnologias na saúde mental e no comportamento dos alunos. A questão levanta questionamentos importantes, especialmente na ausência de uma regulamentação específica. Tatiana Laganá, pesquisadora do Transformative Learning Technologies Lab (TLTL) da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, alertou que escolas com infraestrutura tecnológica avançada podem se arriscar a uma adoção desordenada e acelerada da IA, sem uma orientação adequada. Segundo ela, um dos principais desafios é o chamado 'descarregamento cognitivo', fenômeno em que o estudante delega à máquina toda a operação intelectual, perdendo a autonomia no raciocínio crítico.
Na prática, o uso da IA entre os alunos no Brasil é bastante desigual e ainda pouco regulamentado. Ainda não há um consenso oficial sobre padrões de boas práticas ou limites claros para seu uso, o que pode levar a uma série de problemas, incluindo o impacto na saúde mental dos estudantes. A discussão permanece fervorosa, com especialistas defendendo a necessidade de uma abordagem que contemple tanto o letramento digital quanto a proteção emocional dos jovens. O cenário evidencia a urgência de o país avançar na regulação e na governança da inteligência artificial na educação, garantindo uma implementação responsável e benéfica para todos.
O que sabemos?
- Mais de metade das escolas brasileiras de ensino médio permitem uso de IA generativa.
- Apenas 22% das escolas têm diretrizes formais de boas práticas para AI.
- 8 em cada 10 escolas discutem impactos de novas tecnologias na saúde mental dos alunos.
- Especialistas alertam para riscos de adoção acelerada e desordenada da IA.
- Uso da IA é desigual entre os estudantes e ainda não possui regulamentação específica.
Fontes
- UOL Notícias imprensa
- Folha de S.Paulo imprensa



