Pesquisa na UFRJ reconstrói rostos de pessoas escravizadas com inteligência artificial
Iniciativa usa documentos históricos para criar retratos digitais de vítimas do passado brasileiro
Estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro utiliza inteligência artificial para recriar a aparência de pessoas escravizadas com base em registros históricos, documentos penais e anúncios antigos.
Uma pesquisa realizada na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) tem chamado atenção por utilizar tecnologia de inteligência artificial generativa para reconstruir os rostos de pessoas escravizadas no Brasil, ajudando a dar uma dimensão visual a um capítulo muitas vezes invisível da história. Segundo fontes da própria universidade, a iniciativa faz parte do projeto Biografias Imaginadas, coordenado pela historiadora Marialva Barbosa, da Escola de Comunicação da instituição.
O método consiste em analisar documentos históricos, como processos penais, fichas de prisioneiros negros da antiga Casa de Detenção da Corte, arquivados no Arquivo Nacional e no Tribunal de Justiça do Rio. Além disso, a equipe também acessou anúncios de jornais da época que citavam fugas e detalhes de indivíduos escravizados, utilizando essas informações para orientar a reconstrução digital. A partir dessas descrições, a inteligência artificial foi alimentada com características específicas, como textura de cabelo, espessura do nariz, tamanho da boca e dos olhos, além de detalhes nas vestimentas, tentando criar uma representação visual fiel aos registros originais.
De acordo com a pesquisadora responsável, as imagens geradas ainda incluem traços de marcas de nação—sinais de identificação pré-escravidão, como exemplos de nomes do povo banto, que ajudam a retratar melhor as origens culturais dessas pessoas. O trabalho, que atualmente abrange sete personagens com três imagens recriadas cada, é realizado em várias etapas. Inicialmente, as descrições são digitalizadas a partir dos documentos e, depois, a inteligência artificial gera os rostos virtuais, que são posteriormente verificados palavra por palavra para garantir a precisão. A professora destaca que o uso da IA revolucionou o ritmo do projeto, reduzindo o tempo de análise de seis meses para apenas 15 dias, devido à capacidade de leitura e interpretação de textos antigos pelo sistema.
Apesar dos avanços no método, ela adverte que as orientações às máquinas precisam ser feitas com cuidado, pois qualquer brecha pode gerar resultados incongruentes, como a criação de imagens em calçamento de paralelepípedo, que não existiam na época. A ideia, segundo ela, é criar uma proximidade emocional com aqueles que viveram sob a escravidão, transformando dados históricos em representações visuais que confirmem a existência dessas pessoas. A transparência na utilização da tecnologia é considerada fundamental para garantir a credibilidade do projeto, que visa resgatar a memória de indivíduos forçadamente invisibilizados pelo tempo.
Ainda que a iniciativa seja elogiada por seu potencial de reconstrução histórica, ela ainda conta com uma confirmação oficial e outras fontes, já que a informação até o momento foi divulgada pela Folha de S.Paulo, e o projeto não se pronunciou oficialmente à imprensa. Constatou-se que a pesquisa está em fase de desenvolvimento e aprimoramento, e que muitas vezes o pedido de geração das retratos precisa ser refeito até que os resultados atinjam uma fidelidade satisfatória. A intenção é usar essas imagens para promover uma reflexão mais profunda sobre o passado, contribuindo para uma maior conscientização sobre a história da escravidão no Brasil.
O que sabemos?
- Pesquisa da UFRJ recria rostos de pessoas escravizadas usando inteligência artificial.
- Dados vêm de processos penais, fichas de prisioneiros e anúncios de jornais antigos.
- Sistema gera retratos com detalhes nas características físicas e marcas culturais.
- Processo é mais rápido com o uso da IA, de seis meses para 15 dias.
- A iniciativa busca dar uma dimensão visual às vítimas da escravidão no Brasil.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa



