Tecnologia

Escalada da poluição plástica: pesquisa revela riscos escondidos nas substâncias químicas dos materiais

Informações checadas ?

Especialistas destacam urgência de transformar dados científicos em ações contra o aumento da contaminação ambiental

Ilustração de microplásticos e substâncias químicas na natureza
Imagem: Agência FAPESP

Durante evento em Campinas, cientistas alertam para os perigos das substâncias químicas presentes nos plásticos, cuja maioria ainda não foi avaliada por governos.

Na abertura da Escola São Paulo de Ciência Avançada em Microplásticos, realizada em Campinas e que reúne pesquisadores, estudantes e lideranças de diversos países, um alerta importante foi feito sobre a complexidade da poluição plástica e os riscos associados às substâncias químicas presentes nesses materiais. Segundo o pesquisador da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia, que apresentou o relatório PlastChem, há mais de 16 mil substâncias químicas identificadas nas pesquisas relacionadas ao tema, das quais cerca de 25% já são consideradas danosas por governos ao redor do mundo. Entretanto, mais de 10.700 dessas substâncias ainda não foram avaliadas oficialmente, o que impede qualquer garantia de sua segurança para a saúde humana e o meio ambiente.

Durante a palestra de abertura, o especialista destacou que o problema do plástico vai além do descarte e da poluição visível. Segundo ele, o ciclo de produção e uso desses materiais envolve aspectos pouco discutidos, como a emissão de gases de efeito estufa durante a fabricação e a poluição atmosférica gerada pela queima de resíduos plásticos. Ainda de acordo com o pesquisador, as substâncias químicas ligadas ao plástico podem causar uma série de problemas de saúde, incluindo transtornos reprodutivos, doenças cardíacas, malformações congênitas e alguns tipos de câncer. Estudos recentes também sugerem possíveis ligações com obesidade e alterações no ritmo circadiano, ou seja, o ciclo natural de sono e vigília.

O especialista apontou a falta de transparência na agroindústria como uma das maiores dificuldades no combate à contaminação química. Segundo ele, as empresas muitas vezes não são obrigadas a divulgar a composição exata dos ingredientes presentes nos produtos plásticos, o que força pesquisadores e órgãos públicos a gastarem recursos bilhões de reais na tentativa de identificar esses componentes por meio de processos de engenharia reversa. “Estamos pagando com a nossa saúde pelo desenvolvimento dessa configuração econômica, e só conhecemos a ponta do iceberg”, afirmou. Ainda não há informações se novas regulamentações ou ações concretas estão sendo planejadas para melhorar esse cenário, uma vez que o tema ainda não foi oficialmente confirmado por outros órgãos além da Agência FAPESP, que divulgou os dados com exclusividade até o momento.

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O que sabemos?

  • Mais de 16 mil substâncias químicas associadas ao plástico foram identificadas em pesquisa
  • A maioria dessas substâncias ainda não foi avaliada por governos para garantir sua segurança
  • Segundo o relatório PlastChem, aproximadamente 25% das substâncias avaliadas já são consideradas danosas
  • Exposição a essas substâncias está relacionada a transtornos de saúde como câncer, doenças cardiovasculares e malformações congênitas

Fontes

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