Tecnologia

Protecionismo eleva custos e ameaça expansão da inteligência artificial no Brasil

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Investimentos globais em IA chegam a US$ 1 trilhão até 2026, mas carga tributária elevada freia implantação de data centers nacionais

Ilustração de data center com conexão digital
Imagem: CNN Brasil

Enquanto o mercado mundial de inteligência artificial atrai investimentos bilionários, o Brasil perde competitividade diante do alto custo para instalar infraestrutura local, resultado direto da pesada carga tributária sobre equipamentos de computação.

O Brasil enfrenta uma contradição que pode comprometer seu futuro na era da inteligência artificial (IA): apesar de ter vantagens significativas para disputar o mercado tecnológico global, o país vê sua indústria pressionada devido a políticas que elevam o custo da infraestrutura necessária. Segundo levantamento do Goldman Sachs, o investimento global em infraestrutura de IA deve chegar a US$ 1 trilhão em 2026, com as cinco maiores empresas de nuvem investindo mais de US$ 600 bilhões apenas naquele ano. Para se ter uma ideia, esse fluxo de recursos é comparável, em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), aos grandes projetos de engenharia do século XX.

No entanto, o Brasil não está captando esse investimento, apesar de deter atributos que deveriam torná-lo um destino privilegiado para data centers e operações digitais. Entre esses pontos estão a oferta de energia limpa, renovável e abundante a custos competitivos, uma rede elétrica nacional robusta e interligada, conectividade densa e cabos submarinos que conectam o país à Europa e às Américas, além de sua localização geográfica estratégica e estabilidade política. O país também se destaca pela neutralidade geopolítica e pela ausência de desastres naturais como terremotos e furacões, fatores importantes para a segurança e continuidade das operações.

Mesmo com esse cenário favorável, o Brasil exporta a maior parte da sua própria demanda por serviços de IA e de cargas de dados. De acordo com diagnóstico do Ministério da Fazenda, cerca de 60% dessas operações são processadas no exterior. Como consequência, o déficit na balança comercial do setor de tecnologias da informação e comunicação (TIC) saltou de aproximadamente US$ 3 bilhões em 2021 para cerca de US$ 8 bilhões em 2025, o que indica uma crescente dependência externa.

O grande empecilho está no preço: montar um data center no Brasil custa de 20% a 30% a mais do que em países concorrentes. A principal causa é a carga tributária sobre equipamentos de computação, que representam entre 60% a 80% do investimento inicial (capex) em infraestrutura. A média tributária fica em torno de 35%, chegando a superar 50% em alguns itens, consideravelmente mais alta do que em mercados concorrentes, como o Chile, onde varia entre 5% e 15%. Dentre esses impostos, o ICMS responde por cerca de dois terços desse custo elevado.

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O que sabemos?

  • Em 2026, o investimento global em infraestrutura de IA deve atingir cerca de US$ 1 trilhão.
  • O Brasil possui energia limpa, conectividade avançada e estabilidade política, vantagens para data centers.
  • 60% das cargas de dados e IA usadas no Brasil são processadas no exterior.
  • O custo para implantar data centers no Brasil é 20% a 30% maior devido à pesada carga tributária, especialmente o ICMS.

Fontes

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