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Estudo revela por que a Alemanha nazista não conseguiu construir uma bomba atômica durante a Segunda Guerra

Em apuração ?

Novas análises científicas desmontam mitos antigos sobre o programa nuclear nazista

Ilustração de um reator nuclear com detalhes técnicos e histórico
Imagem: CNN Brasil

Pesquisadores convidados pela publicação científica PNAS Nexus examinaram o projeto atômico alemão e concluíram que limitações materiais e erros industriais impediram o desenvolvimento de um reator funcional, desmentindo relatos históricos.

Deixando de lado os mitos e boatos, uma nova pesquisa científica trouxe à tona detalhes importantes sobre o fracasso do programa nuclear do regime nazista na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial. Segundo informações divulgadas por um estudo publicado na revista científica PNAS Nexus, a última instalação experimental nuclear alemã, conhecida como reator B8, nunca foi capaz de funcionar de forma eficiente, como se acreditava anteriormente. A análise, que envolveu a reconstituição digital do projeto e a avaliação de materiais físicos remanescentes, mostra que o problema não foi uma pequena quantidade de urânio, mas limitações materiais graves que inviabilizaram o sucesso do projeto.

Essa instalação, montada na vila de Haigerloch em abril de 1945, foi considerada a ponta de lança do esforço alemão para desenvolver armas nucleares. Porém, de acordo com o estudo, os pesquisadores de instituições como a Universidade Columbia e a Universidade de Maryland demonstraram que o reator operava com um fator de multiplicação de nêutrons de apenas 0,94, muito aquém do necessário para alcançar a criticidade — ou seja, uma reação em cadeia autossustentada. Para atingir esse estágio, seria preciso mais que o dobro de urânio e de água pesada do que foi utilizado na tentativa de 1945, volumes que ultrapassariam em muito o estoque disponível na Alemanha na época, devido à escassez de matérias-primas essenciais.

Outro ponto importante destacado pela pesquisa é a tentativa de substituir a água pesada por grafite como moderador nuclear. Apesar de a Alemanha tentar seguir o modelo adotado pelos Estados Unidos no experimento de Chicago, análises químicas revelaram que o grafite alemão apresentava uma impureza de boro equivalente a 3,4 partes por milhão, um elemento que atua como um moderador de nêutrons e que acabou inviabilizando a reacção nuclear autossustentada. Essa contaminação ocorreu porque a indústria alemã utilizava coque de carvão mineral para sintetizar grafite, diferentemente dos americanos, que usaram coque de petróleo, considerado mais puro. Como o bloqueio naval iniciado em 1940 impediu a importação de coque de petróleo, os alemães ficaram presos a uma opção industrial que comprometeu toda a viabilidade do projeto.

Segundo o estudo, toda essa combinação de limitações materiais, erros industriais e dificuldades de suprimento durante a guerra fez com que o programa atômico alemão estivesse fadado ao fracasso, mesmo na sua fase mais avançada. Ainda que, em 1947, o físico Werner Heisenberg tenha afirmado que o reator B8 tinha falhado por uma margem mínima, a análise atual refuta essa versão, mostrando que os alemães nunca tiveram condições de produzir uma arma nuclear funcional na época. A descoberta traz à tona uma história que, por décadas, permaneceu envolta de mitos sobre uma suposta corrida nuclear alemã que, na verdade, nunca passou do estágio experimental devido às limitações técnicas e logísticas enfrentadas pelo regime nazista.

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O que sabemos?

  • O reator B8 alemão nunca foi capaz de funcionar como uma usina nuclear autossustentável.
  • Limitações materiais, como a escassez de urânio e água pesada, impediram o sucesso do projeto.
  • Impurezas no grafite utilizado dificultaram o uso de moderador por substituição da água pesada.
  • O bloqueio naval aliado em 1940 dificultou a importação de matérias-primas essenciais.
  • Estudos atuais mostram que o esforço nuclear dos nazistas foi limitado e falhou antes de alcançar resultados militares.

Fontes

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