Política na Colômbia gera polêmica ao retirar itens sobre feminismo e diversidade de museu histórico
Decisão do presidente Espriella provoca protestos e disputa jurídica no país
O governo colombiano ordenou a retirada de 30 peças do Museu Nacional de Bogotá, relacionadas a temas como feminismo, diversidade sexual e processos de paz. A medida suscitou reações de diferentes setores da sociedade e acabou levando a uma batalha judicial.
Segundo fontes, o presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, iniciou uma controvérsia ao determinar a retirada de 30 itens de uma exposição permanente do Museu Nacional, na capital Bogotá. A decisão, divulgada na semana passada, concentra-se em objetos ligados ao feminismo, aos direitos LGBTQIA+ e a figuras históricas associadas a processos de paz e aos movimentos de esquerda. Entre as peças, estaria um chapéu de Carlos Pizarro, ex-líder da guerrilha M-19 que assinou um acordo de paz em 1989 e foi assassinado meses após concorrer à presidência. Segundo informações ainda não confirmadas oficialmente, o governo justificou a ação como uma forma de 'reestruturação' do acervo, mas a sociedade civil interpretou a medida como uma tentativa de censura ou de apagar memórias relacionadas à diversidade e ao processo de democratização do país.
Desde o anúncio, manifestantes se reuniram na frente do Museu Nacional, o mais antigo do país, empunhando cartazes em defesa da diversidade e contra o que chamaram de censura. Segundo um deles, 'Não é uma batalha cultural, é uma batalha contra a cultura', numa referência às ações do governo que, segundo críticos, parecem relativizar a importância de temas considerados progressistas. As peças retiradas estavam localizadas em uma exposição permanente e, entre elas, também figuravam objetos ligados às figuras de esquerda e aos estudantes que promoveram a Constituição de 1991, marco importante na história política do país.
Até o momento, o Palácio não se pronunciou oficialmente sobre a decisão, e a Justiça colombiana determinou que as obras devem ser preservadas enquanto o caso é analisado. A controvérsia acontece em um momento em que o presidente Espriella, que tomou posse em agosto, vem adotando discurso de linha dura, com promessas de combate ao crime organizado e forte defesa de valores conservadores. Ainda não há confirmação oficial de qual será o desfecho da disputa, mas o episódio evidencia um cenário de polarização política crescente na Colômbia, onde símbolos históricos e culturais passaram a ser palco de conflitos ideológicos.
O que sabemos?
- O presidente da Colômbia ordenou a retirada de 30 itens do Museu Nacional de Bogotá.
- Entre as peças está o chapéu de Carlos Pizarro, ex-comandante da guerrilha M-19.
- As peças estavam em uma exposição permanente do museu.
- Manifestantes protestaram na frente do Museu Nacional, defendendo a preservação da diversidade.
- A Justiça determinou que as obras sejam preservadas enquanto o caso é analisado.
Fontes
- UOL Notícias imprensa
- Folha de S.Paulo imprensa





