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Ópera inédita aborda trajetória de militante torturado na ditadura brasileira

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A obra revisita a história de Marcos Arruda, sobrevivente da repressão militar e símbolo da resistência.

Cena da montagem da ópera com elementos que representam a repressão na ditadura brasileira
Imagem: Aventuras na História

A primeira ópera no Brasil a tratar abertamente sobre a ditadura militar estreia em setembro, celebrando a memória de Marcos Arruda, vítima de tortura e militante da Ação Popular. Projeto artístico busca também promover reparação histórica.

Uma novidade no cenário cultural brasileiro promete despertar reflexões profundas sobre um período marcado pela repressão e pelo sofrimento. A ópera inédita intitulada Esquecer? Nunca Mais!, idealizada pelo pesquisador e militante James N. Green, revisita a trajetória de Marcos Arruda, um militante da Ação Popular que sobreviveu à tortura na ditadura militar brasileira. Ainda sem confirmação oficial, a obra nasce de um relato que marcou profundamente Green desde os anos 1970, quando conheceu Arruda por meio do Comitê Contra a Repressão no Brasil, em Washington. Segundo Green, o relato de Arruda sobre o pau-de-arara — método de tortura utilizado na época — impactou-o de forma irreversível: “Se você quer ser muito chocado, começa pelo epílogo… eles estão tocando Jesus Cristo do Roberto Carlos pra abafar o som dos gritos.”

A peça, que conta com uma equipe artística de destaque, apresenta a composição musical de Elodie Bouny e Roee Benn Sira, direção artística de Pablo Maritano, direção cênica de José Henrique de Paula e libreto de Fernanda Maia. Ainda conforme informações obtidas, trata-se da primeira montagem do gênero no Brasil a abordar de forma aberta e artística a temática da ditadura e suas sequelas. A narrativa acompanha desde a infância de Arruda até sua entrada no movimento estudantil, passando por perseguições políticas, sua prisão, tortura e o exílio. As cartas, documentos e memórias preservadas pela mãe de Arruda, Lina, fundamentam a dramaturgia. Segundo Green, Lina “conservou essas cartas… e anos depois escreveu o primeiro livro, que é o eixo do livro dela”, contribuindo para a elaboração da obra.

A estreia da ópera será uma apresentação concertante de uma ária do Primeiro Ato, marcada para o dia 16 de setembro no Teatro Moise Safra, com convidados especiais, imprensa e patrocinadores presentes. Ainda sem confirmação de uma temporada integral, a produção enxerga a obra como um ato de reparação histórica, resgatando memórias difíceis e promovendo diálogo sobre os crimes da repressão. Green, que dedicou décadas à documentação dos anos de chumbo, à solidariedade internacional e à defesa da democracia brasileira — incluindo ações de apoio ao Chile após o golpe de 1973, sua militância no movimento LGBTQIAPN+ e a criação de redes internacionais contra o autoritarismo —, afirma que a ópera sintetiza sua trajetória de luta e compromisso ético. A obra é um roteiro musical que busca preservar a memória e fortalecer a resistência às formas de opressão, num momento em que o país debate sua história recente.

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O que sabemos?

  • Ópera intitulada 'Esquecer? Nunca Mais!' estreia em setembro no Teatro Moise Safra.
  • A obra revisita a trajetória de Marcos Arruda, sobrevivente da tortura na ditadura militar brasileira.
  • James N. Green idealizou o projeto, que tem composição de Elodie Bouny e Roee Benn Sira.
  • A narrativa traz a história desde a infância de Arruda até seu exílio, apoiada em cartas, documentos e memórias da mãe, Lina.
  • A primeira apresentação será uma ária do Primeiro Ato em 16 de setembro, com convidados e imprensa presentes.

Fontes

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