Tecnologia

Reconhecimento facial no Brasil é comparado a Frankenstein por pesquisadora da Unicamp

Em apuração ?

Estudo alerta para riscos éticos e falta de responsabilidade no uso da tecnologia

Nina da Hora, diretora executiva do Instituto da Hora e pesquisadora da Unicamp
Imagem: Superinteressante

Nina da Hora, diretora do Instituto da Hora e pesquisadora da Unicamp, utiliza a metáfora do romance Frankenstein para explicar os desafios do reconhecimento facial no Brasil, destacando questões de responsabilidade e justiça computacional.

Em 1818, Mary Shelley escreveu "Frankenstein", uma obra que ainda hoje reverbera ao narrar a criação de uma nova forma de vida a partir de partes humanas diversas, cujo criador depois se exime da responsabilidade por ela. É essa mesma história inquietante que a pesquisadora Nina da Hora, diretora executiva do Instituto da Hora (IDH) e pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), associa à tecnologia de reconhecimento facial em uso no Brasil.

Segundo Nina da Hora, o reconhecimento facial, presente em estações de metrô, estádios, aeroportos e sistemas de segurança pública em diversas cidades brasileiras, reproduz um procedimento similar ao do romance: um sistema que processa fragmentos - neste caso, dados faciais e imagens - para gerar uma suposta forma de identificação inteligente. Porém, assim como o cientista da ficção, os responsáveis pela tecnologia muitas vezes não assumem a responsabilidade pelos impactos sociais e éticos gerados.

A pesquisadora vem estudando essa tecnologia há anos dentro do campo da computação e defendeu sua dissertação de mestrado em maio de 2026 no Instituto de Computação da Unicamp. O trabalho resultou no artigo "Frankenstein in the Pipeline", apresentado na ACM FAccT, principal conferência internacional revisada por pares que discute justiça e responsabilidade em sistemas algorítmicos, realizada este ano em Montreal, Canadá.

No texto publicado originalmente no The Conversation, que marca o início da parceria entre o site e o Instituto da Hora para divulgação científica, Nina explica que o sistema de reconhecimento facial não “vê” pessoas como humanos, mas executa uma série de operações fixas chamadas em computação de pipeline – uma linha de montagem onde cada etapa transforma os dados recebidos da anterior. Esse processo automatizado, ela alerta, pode resultar no que chama de “epistemicídio computacional”, neologismo que indica a destruição das formas legítimas de conhecimento e reconhecimento dos indivíduos, principalmente de grupos marginalizados.

O tema é especialmente relevante diante da ampla implantação desses sistemas em ambientes públicos no Brasil, muitas vezes sem transparência sobre seu funcionamento, falhas e vieses. Nina da Hora destaca que, tal como no romance de Mary Shelley, a criação de uma inteligência artificial a partir de dados humanos carece de uma responsabilidade ética clara por parte dos desenvolvedores e instituições, o que levanta questionamentos cruciais para a convivência democrática e o respeito aos direitos civis.

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O que sabemos?

  • Nina da Hora é diretora executiva do Instituto da Hora (IDH) e pesquisadora da Unicamp.
  • Mary Shelley publicou Frankenstein em 1818, cujo enredo envolve a criação de uma criatura a partir de partes humanas desconectadas.
  • Nina da Hora estudou reconhecimento facial e defendeu dissertação em maio de 2026 na Unicamp.
  • O artigo "Frankenstein in the Pipeline" foi apresentado na ACM FAccT, conferência internacional sobre justiça e responsabilidade em sistemas algorítmicos.

O que ainda não foi confirmado?

  • Informação divulgada apenas por Superinteressante; aguardando outras fontes.

Fontes

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