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Movimento popular de 1798 que desafiaram a história tradicional do Brasil

Em apuração ?

A Conjuração Baiana, liderada por negros e artesãos, pode ter mudado o rumo do país

Movimento popular de 1798 que desafiaram a história tradicional do Brasil
Imagem: BBC News Brasil

A Revolta dos Alfaiates, outrora esquecida, foi uma das principais tentativas de independência no Brasil antes de 1822, com pautas como a abolição da escravidão e a República.

Ainda que o 7 de setembro seja hoje a data oficial da Independência do Brasil, há evidências de um movimento emancipacionista ocorrido quase um século antes, que poucos sabem. Segundo informações divulgadas pela BBC News Brasil, a Conjuração Baiana, também conhecida como Revolta dos Alfaiates ou Revolta dos Búzios, foi uma revolta popular iniciada em 12 de agosto de 1798, exatamente dois meses antes do nascimento de dom Pedro I, então príncipe regente. Liderada por pessoas negras, marceneiros, alfaiates e outros artesãos, o movimento tinha como bandeiras o desejo de uma sociedade mais justa, com regime republicano e o fim da escravidão.

Segundo fontes não confirmadas oficialmente, o movimento terminou em 8 de novembro de 1799, quando os quatro principais líderes—Luiz Gonzaga das Virgens e Veiga, Lucas Dantas do Amorim Torres, Manuel Faustino dos Santos Lira e João de Deus Nascimento—foram executados em praça pública. Esses nomes, que na época representaram a resistência de uma parcela da população marginalizada, hoje permanecem quase esquecidos na história oficial. Ao contrário do processo de independência que ocorreu em 1822, que foi uma articulação mais elitista, a Revolta dos Alfaiates foi uma revolução popular que pedia o fim do domínio colonial, a abolição da escravidão e a instalação de um regime republicano.

Importante também destacar que muitos participantes eram negros, numa fase em que a resistência à escravidão começava a ganhar força entre as camadas mais pobres da sociedade. Ainda segundo a fonte, essas revoltas e movimentos de resistência, que ocorreram nas décadas anteriores ao momento da Independência oficial, foram fundamentais para impulsionar mudanças profundas na estrutura social do Brasil. No entanto, a narrativa escolar e a historiografia oficial tendem a ignorar essas lutas, que teriam sido apagadas de forma deliberada para não desafiar a versão oficial do desenvolvimento do país.

Especialistas em história negra explicam que esse apagamento faz parte de um racismo estrutural, reminiscente da época em que o negro era visto como coisa, sem valor como humano.

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