Tecnologia

Inteligência artificial tenta desvendar manuscrito do século 15 guardado na Yale

Em apuração ?

Tecnologia ajuda a explorar um dos maiores enigmas históricos da escrita

Ilustração do Manuscrito Voynich com plantas desconhecidas e textos misteriosos
Imagem: Aventuras na História

O Manuscrito Voynich, com aproximadamente 600 anos, continua desafiando pesquisadores, mesmo após tentativas de decifragem usando algoritmos de aprendizado de máquina. Sua estrutura complexa e falta de referências dificultam o entendimento do conteúdo.

Um dos maiores mistérios da história da escrita está sendo alvo de novas investigações por meio de inteligência artificial. O Manuscrito Voynich, um códice do século 15, permanece sem uma interpretação definitiva quase 600 anos após sua criação. Segundo informações divulgadas por uma fonte especializada, o documento foi adquirido em 1912 pelo livreiro Wilfrid Voynich e hoje está armazenado na Biblioteca Beinecke, na Universidade de Yale, nos Estados Unidos. Com aproximadamente 240 páginas, o manuscrito apresenta um conteúdo que combina um alfabeto desconhecido, ilustrações detalhadas de plantas não identificadas, diagramas astronômicos e figuras humanas, tudo escrito em uma linguagem que ainda não foi relacionada a nenhum idioma conhecido.

Historicamente, dezenas de tentativas de decifração foram realizadas, incluindo estudos por criptógrafos do século 20, mas sem sucesso. Para avançar na análise, pesquisadores passaram a usar algoritmos de aprendizado de máquina, que analisam padrões na estrutura da escrita. Segundo Romes Heriberto, professor de Engenharia de Software do Centro Universitário Uniceplac, essas ferramentas funcionam como uma espécie de análise estatística, possibilitando identificar estruturas na escrita que não parecem aleatórias. De fato, as análises indicam que o texto segue a Lei de Zipf, uma lei estatística comum em línguas humanas, na qual algumas palavras aparecem com frequência elevada, enquanto a maioria é rara. Além disso, determinados termos parecem concentrados em seções específicas relacionadas a botânica e astronomia.

Contudo, especialistas alertam que encontrar uma organização no texto não equivale a entender seu conteúdo. Leo Soares, especialista em inteligência artificial, explica que esses algoritmos podem detectar padrões na distribuição dos símbolos e palavras, mas não revelam necessariamente o significado por trás das mensagens. Uma dificuldade é que o manuscrito não possui uma referência externa, como aconteceu com os hieróglifos egípcios e a Pedra de Roseta, que permitiram tradução. Sem um ponto de apoio similar, compreender o que o códice realmente comunica é uma tarefa extremamente complexa. Além disso, a escassez de conhecimentos sobre línguas antigas ou extintas limita ainda mais as análises, fazendo com que interpretações aparentemente coerentes possam estar totalmente fora de contexto, ou até serem falsificações elaboradas na época do Renascimento.

Entre as hipóteses atuais, ainda não há consenso: o manuscrito poderia ser uma língua natural extinta, uma mensagem codificada, um sistema artificial de escrita ou simplesmente uma falsificação. Recentemente, em 2025, um pesquisador demonstrou que um método de cifragem manual do século 15, chamado código Naibbe, consegue reproduzir, em latim e italiano, padrões estatísticos semelhantes aos do manuscrito, o que reforça a complexidade de sua decifração, mesmo com o auxílio da tecnologia.

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O que sabemos?

  • O Manuscrito Voynich foi adquirido em 1912 pelo livreiro Wilfrid Voynich.
  • Estima-se que ele foi criado entre 1404 e 1438, por radiocarbono.
  • Possui cerca de 240 páginas com ilustrações e escrita incompreensível.
  • Análises estatísticas indicam que o texto segue padrões similares a línguas humanas.
  • Algoritmos não ajudam a determinar o significado, apenas padrões estruturais.

Fontes

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