Estudo revela impacto do uso de celulares e IA nas escolas brasileiras
Dados do Pisa 2025 apontam avanços e desafios na integração digital na educação do país
Apesar de avanços no uso de ferramentas digitais entre estudantes, o Brasil ainda enfrenta dificuldades na implementação de tecnologias na sala de aula e na capacidade digital das escolas, revela relatório internacional.
Um recente estudo divulgado pelo Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) de 2025, realizado pela OCDE, trouxe uma visão detalhada sobre o cenário da educação digital no Brasil. Segundo a análise, quase metade dos estudantes brasileiros de 15 anos já utilizam inteligência artificial (IA) para tarefas escolares, um dado que demonstra a crescente presença de tecnologias avançadas na rotina estudantil. No entanto, o relatório também apontou que a capacidade digital das escolas brasileiras permanece abaixo da média internacional, evidenciando uma disparidade preocupante entre o uso de tecnologias por estudantes e a infraestrutura disponível nas instituições de ensino.
Um dos aspectos mais comentados do estudo foi a política de proibição de uso de celulares em salas de aula, implementada oficialmente em janeiro de 2025. Segundo o relatório, essa medida teve efeito mais rápido no Brasil do que em outros países da OCDE, onde a proporção de escolas com a proibição passou de 34% para 49% no período. Aqui, o percentual saltou de 37% em 2022 para 81% em 2025, indicando uma adoção quase total dessa política. A OCDE reconhece o banimento do celular como uma das ações mais eficazes para reduzir a distração digital, e a pesquisa indica que estudantes que vivem em escolas que proíbem o uso de dispositivos têm cerca de 13% menos chances de se distraírem durante as aulas.
Apesar dessa melhora na disciplina, o estudo aponta um contraste: enquanto o uso de ferramentas digitais pelos estudantes brasileiros é superior à média da organização, a capacidade de integrar essas tecnologias ao ensino nas escolas brasileiras ainda é precária. O Índice de Capacidade Digital das Escolas, divulgado pelo Pisa, avalia aspectos como infraestrutura, treinamento de professores e recursos tecnológicos, e colocou o Brasil com uma média de -0,86, bem abaixo da média da OCDE, que é -0,03. Para comparação, países como Emirados Árabes Unidos e Singapura apresentam índices positivos, enquanto o Brasil infelizmente fica atrás até de outros latino-americanos, como o Chile, que tem -0,61.
Curiosamente, os estudantes brasileiros mostram uma forte adesão ao uso de inteligência artificial. Segundo o relatório, 48% afirmam usar chatbots de IA pelo menos uma vez por semana para tarefas escolares, um dado que supera a média da OCDE, que é de 46%. Contudo, o tempo dedicado ao uso de dispositivos digitais para atividades de aprendizagem é menor no Brasil, com uma média de 1,3 hora por dia, contra 1,7 hora na média dos países da organização. Para lazer, a diferença é menor, chegando a 1 hora por dia aqui e 1,1 hora na média internacional.
Apesar de avanços no uso de tecnologias por estudantes, o relatório ainda não confirma oficialmente outras informações relevantes, como detalhes precisos sobre investimentos na infraestrutura digital das escolas ou o impacto de políticas específicas de inclusão digital no desempenho acadêmico. Ainda assim, o estudo evidencia a complexidade do cenário brasileiro na área de educação digital, com uma geração de estudantes cada vez mais familiarizada com IA e uma realidade escolar que, em muitos aspectos, permanece aquém do que seria ideal para uma formação completa e atualizada.
O que sabemos?
- Quase metade dos alunos brasileiros de 15 anos usam IA para tarefas escolares.
- Proporção de escolas que proíbem uso de celular subiu de 37% em 2022 para 81% em 2025.
- Brasil registra índice de capacidade digital das escolas em -0,86, abaixo da média da OCDE (-0,03).
- Uso de chatbots de IA por estudantes supera a média da OCDE, com 48% usando semanalmente.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





