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Estudo revela impacto negativo do jogo online na saúde financeira de novos apostadores no Brasil

Em apuração ?

Aumenta inadimplência e limitações de crédito entre quem começa a apostar após regulamentação de 2025

Pessoa fazendo aposta online em computador, com gráficos financeiros ao fundo
Imagem: Folha de S.Paulo

Pesquisa inédita constatou que, um ano após a primeira aposta, os jogadores enfrentam maior inadimplência e redução no acesso ao crédito. Dados indicam que o consumo de recursos destinados às apostas compromete a capacidade de pagamento de contas e influencia o crédito bancário.

Segundo uma pesquisa conduzida por Sérgio Firpo, professor do Insper, em parceria com a empresa Stone, especializada em serviços financeiros, o início da prática de apostas online no Brasil, após a regulamentação em 2025, trouxe efeitos prejudiciais à saúde financeira dos novos apostadores. O estudo, ainda não oficialmente confirmado por órgãos reguladores, acompanha a vida financeira de quem começou a apostar virtualmente e revela que, em até um ano, há um aumento significativo na inadimplência e na limitação de crédito dessas pessoas.

De acordo com a análise, quem realiza sua primeira aposta após o início de 2025 apresentou, em média, um crescimento de 20% na taxa de inadimplência em relação àqueles que ainda não tinham feito apostas, no período de 12 meses. Além disso, a fração de contas de cartão de crédito atrasadas cresceu cerca de 38,7% nesse mesmo intervalo de tempo. Segundo os pesquisadores, esses números indicam que uma parte considerável dos apostadores está usando recursos que poderiam ser destinados ao pagamento de contas para financiar seu vício em jogos virtuais.

Firpo explicou que a relação entre apostas e inadimplência é simples: “O dinheiro que a pessoa manda para a bet é dinheiro que não está mais lá para pagar faturas ou outras despesas essenciais. Quando um quinto do orçamento mensal de um apostador vai para as apostas, a chance de atraso no pagamento aumenta e, muitas vezes, prejudica o credor, que, neste caso, é o banco,” afirmou. Os especialistas ainda descobriram que, com o início das apostas, há uma redução de aproximadamente 16% no limite de crédito disponível para esses consumidores, uma redução que, segundo o economista Rômullo Carvalho, é comparable à perda de acesso ao crédito após o desemprego.

Segundo o estudo, essa limitação no acesso ao crédito parece ser monitorada pelos bancos, que, ao perceberem que seus clientes começaram a apostar, ajustam os limites de empréstimos concedidos, buscando diminuir o risco de calotes futuros. Assim, quem passa a apostar online vê suas possibilidades de obter crédito reduzidas, o que reforça a hipótese de que as instituições financeiras estão atentas ao impacto das apostas na capacidade de pagamento dos seus clientes.

Apesar de os dados ainda não terem sido confirmados oficialmente por órgãos reguladores ou pelo próprio Banco Central, a pesquisa aponta para uma relação direta entre o consumo excessivo em apostas online e o agravamento da inadimplência e do acesso ao crédito. Ainda que ocorra uma mudança de comportamento dos usuários, é importante que o tema seja acompanhado de perto pelas autoridades e pelo mercado, considerando os possíveis impactos sociais e econômicos do fenômeno.

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O que sabemos?

  • Apostas online começaram a ser feitas após a regulamentação em 2025.
  • Quem aposta apresenta, em um ano, aumento de 20% na inadimplência.
  • Afração de contas de cartão atrasadas cresceu em média 38,7%.
  • O acesso ao crédito é reduzido em torno de 16% para quem começa a apostar.

Fontes

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