Tecnologia

Europa enfrenta desafio inesperado no avanço da energia solar

Em apuração ?

Apesar da imagem de liderança, crescimento da energia solar estagna na União Europeia devido a limitações na rede elétrica

A União Europeia adicionou 67,2 GW de energia solar em 2025, pouco acima do ano anterior, mas enfrenta queda nas novas implantações em 2026, salvo na Itália, por sobrecarga das redes. O aumento das horas com preços negativos na Alemanha e na Espanha evidencia o problema, enquanto a UE planeja investimentos bilionários e aposta em baterias para contornar o congestionamento.

A União Europeia, tradicionalmente vista como campeã mundial em energias renováveis, surpreendeu especialistas ao mostrar uma estagnação preocupante na instalação de energia solar. Segundo dados apurados pela Folha de S.Paulo, em 2025 a UE adicionou 67,2 gigawatts (GW) de nova capacidade fotovoltaica, número apenas ligeiramente superior ao registrado em 2024, o que indica uma desaceleração após anos de crescimento robusto.

A situação piora para 2026, quando as projeções apontam queda nas novas implantações em praticamente todos os principais países do bloco, com exceção da Itália. O principal obstáculo, segundo a apuração, não está na geração da energia em si, mas nas limitações da rede elétrica para absorver e distribuir o volume produzido. Em dias ensolarados, fazendas solares podem gerar eletricidade em excesso, que as redes não conseguem transportar nem armazenar adequadamente.

Esse excesso força os geradores a se desconectarem durante os horários de pico, quando possível, ou a pagar os consumidores para usar energia excedente, fenômeno conhecido como preços negativos. A consequência é um cenário financeiro e operacional complexo para os operadores e investidores do setor. O problema já se reflete em números: no primeiro semestre de 2026, as horas com preços negativos aumentaram 33% na Alemanha e alarmantes 237% na Espanha, na comparação com o mesmo período de 2024.

Diante desse quadro, os operadores da rede europeia planejam investir centenas de bilhões de euros na próxima década para atualizar a infraestrutura. Uma estratégia crucial para lidar com o congestionamento são as baterias, que armazenam a energia gerada para uso posterior, garantindo melhor equilíbrio e estabilidade. Porém, a capacidade instalada ainda está longe do necessário: a UE estima precisar de armazenamento suficiente para 150 GW até 2030, mas até o fim de 2025 havia somente 37 GW instalados.

Além da necessidade de hardware, há também desafios regulatórios: os países membros da União Europeia apresentam resultados variados na aprovação das reformas que podem acelerar a adoção dessas tecnologias de armazenamento. Com o bloqueio na expansão do solar e o desafio logístico das redes, o futuro da energia limpa na maior locomotiva verde do mundo depende de investimentos pesados e ações coordenadas para superar gargalos técnicos e administrativos.

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O que sabemos?

  • União Europeia adicionou 67,2 GW de energia solar em 2025, pouco acima de 2024
  • Novas instalações de energia solar devem cair em 2026 em quase todos os países da UE, exceto Itália
  • Horas com preços negativos aumentaram 33% na Alemanha e 237% na Espanha no primeiro semestre de 2026
  • UE planeja gastar centenas de bilhões de euros em atualizações na rede e precisa aumentar a capacidade de baterias de 37 GW para 150 GW até 2030

O que ainda não foi confirmado?

  • Informação disponível apenas na Folha de S.Paulo, aguardando outras fontes

Fontes

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