Escassez de whey protein no Brasil pressiona indústria a buscar novas fontes proteicas
Associação aponta alternativas à proteína do soro do leite diante da alta de preços e falta de expansão das fábricas no país
A dificuldade para ampliar a oferta de whey protein no Brasil, que responde por 60% do consumo da América do Sul, tem levado empresas a considerar proteínas de carne, vegetais e até produzidas em laboratório. Os preços do produto dispararam em 2023, refletindo o descompasso entre demanda e oferta.
O mercado brasileiro de whey protein, proteína do soro do leite muito usada por atletas e consumidores em busca de suplementação proteica, enfrenta uma forte pressão causada pela escassez da matéria-prima. Segundo Marcelo Bella, presidente da Abenutri (Associação Brasileira de Empresas de Produtos Nutricionais), essa situação deve levar as empresas a buscarem fontes alternativas para manter o suprimento e atender à demanda.
De acordo com Bella, existem várias possibilidades que poderão substituir a proteína tradicional do soro do leite, incluindo proteínas derivadas de carne, leveduras, vegetais como a ervilha e ainda produtos obtidos por fermentação em laboratório. Esta última tecnologia, segundo o dirigente, já possibilita a produção de proteínas de alto valor biológico sem a necessidade do uso do leite.
O executivo ressalta que o principal desafio segue sendo garantir matéria-prima com maior disponibilidade e custo mais acessível. "O desafio de conseguir a matéria-prima com mais disponibilidade e a um preço menor tem se agravado e ficado cada vez mais difícil", afirmou Marcelo Bella. O crescimento consistente da demanda não se reflete na oferta, que permanece estável diante da ausência de expansão industrial. O Brasil é responsável por cerca de 60% do consumo da proteína do soro do leite na América do Sul.
Dados da consultoria Mordor Intelligence indicam que o segmento de whey protein cresceu a uma taxa média de 8% ao ano entre 2020 e 2025. Já os preços globais do concentrado de whey com 80% de proteína saltaram até 105% no último ano, conforme dados da StoneX. No Brasil, a alta foi ainda maior, chegando a 120% em 2023.
Outro fator preocupante para o setor é a previsão de que não haverá inauguração de novas fábricas na indústria brasileira durante 2026, prolongando a estagnação da oferta. A única exceção será a nova unidade da empresa Soy Ouro, que deve começar a operar no primeiro trimestre de 2027. Essas informações foram divulgadas inicialmente pela Folha de S.Paulo e aguardam confirmação por outras fontes.
A escassez e o aumento de preços do whey protein tendem a forçar os fabricantes a acelerar a pesquisa e adoção de novas fontes para suplementação, um movimento que pode transformar o mercado nacional e influenciar consumidores e profissionais de saúde sobre as alternativas para aquisição de proteínas eficazes e acessíveis.
O que sabemos?
- O Brasil domina 60% do consumo sul-americano de whey protein.
- Entre 2020 e 2025, a categoria cresce 8% ao ano.
- Preço do concentrado de whey aumentou até 120% no Brasil em 2023.
- Não haverá novas fábricas em 2026; Soy Ouro inaugura unidade em 2027.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





