Saúde

Senador dos EUA aponta relação entre políticas de vacinação do governo Trump e mortes por sarampo

Em apuração ?

Crise de saúde pública e tensões na política de imunização fazem debate ganhar força nos Estados Unidos

Imagem: CNN Brasil

O senador Bill Cassidy criticou a abordagem do governo Trump às vacinas, relacionando-a ao aumento de mortes por sarampo na Pensilvânia. Ele também pressionou a indicada à cirurgia-geral a esclarecer dúvidas sobre a relação das vacinas com o autismo.

Em meio ao pior surto de sarampo nos Estados Unidos em mais de 35 anos, o senador Bill Cassidy, que preside o Comitê de Saúde do Senado, lançou críticas contundentes à política de vacinação adotada pelo governo Trump. Segundo Cassidy, as políticas equivocadas e a disseminação de desinformação sobre as vacinas contribuíram para a morte de três pessoas na Pensilvânia, com um quarto caso sob investigação, além de uma maior vulnerabilidade da população ao aumento de casos de doenças evitáveis.

Durante uma sessão nesta quarta-feira (16), Cassidy destacou a gravidade da situação. “Sofrer com qualquer doença é terrível, mas sofrer com uma que é evitável, isso é ainda pior”, afirmou o senador, que também é médico da Louisiana. Ainda segundo a fonte, o país vive seu maior surto de sarampo desde o início do século, e as conversas no Congresso giram em torno das políticas de imunização, particularmente no que diz respeito às orientações de vacinação para crianças.

Um ponto de tensão na discussão foi a postura da candidata indicada pelo presidente Trump ao cargo de cirurgiã-geral, Dra. Nicole Saphier. Cassidy questionou diretamente a especialista sobre a relação das vacinas contra sarampo, caxumba e rubéola (vacina tríplice viral) com autismo. Inicialmente, ela afirmou que “não havia visto evidências confiáveis” que sustentassem essa associação, mas não foi clara ao afirmar categoricamente que as vacinas não causam autismo, o que levou o senador a orientar sua resposta. A própria candidata afirmou que não acreditava que as vacinas infantis fossem perigosas, considerando-as “nossa maior ferramenta para combater o sarampo”, mas evitou uma resposta definitiva sobre a relação com autismo, alegando estar “aberta a discussões futuras”.

O senador Cassidy criticou ainda a postura de figuras como Robert F. Kennedy Jr., secretário de Saúde dos EUA, que há tempos defende uma relação entre vacinas e autismo — uma ideia que já foi completamente desacreditada pela ciência. Cassidy afirmou que as vacinas são “extremamente seguras e eficazes, e não causam autismo”, e criticou o decreto que fragmenta o calendário de vacinação infantil, alegando que isso exige mais doses e pode tornar as crianças menos seguras. Ainda segundo a fonte, Cassidy, que não pretende concorrer à reeleição após perder as primárias republicanas realizadas em maio, tem se mostrado cada vez mais crítico em relação às campanhas antivacina de Kennedy e às políticas de saúde adotadas pelo governo Trump.

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O que sabemos?

  • O senador Bill Cassidy é presidente do Comitê de Saúde do Senado dos EUA.
  • Ele atribui a mortes por sarampo na Pensilvânia às políticas de vacinação do governo Trump.
  • Cassidy pressionou a candidata à cirurgiã-geral, Dra. Nicole Saphier, sobre a relação entre vacinas e autismo.
  • O surto de sarampo nos EUA é o pior em mais de 35 anos.
  • Cassidy considera as vacinas seguras e eficazes, e critica a fragmentação do calendário de vacinação.

Fontes

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