Saúde

Medo de bonecos: uma fobia que vai além do imaginário do Halloween

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Entenda por que alguns veem figuras de brinquedo como uma fonte de ansiedade e como o tratamento pode ajudar.

Boneco de brinquedo assustador em uma sala escura
Imagem: CNN Brasil

A aversão a bonecos, conhecida como pediofobia, é um fenômeno psicológico que provoca medo intenso em algumas pessoas, indo além do mero susto de filmes de terror. Especialistas explicam suas causas e possíveis tratamentos.

Quem já se assustou com personagens famosos como Chucky, Tiffany ou Annabelle, especialmente durante o Halloween, talvez não imagine que para algumas pessoas esses brinquedos podem representar uma ameaça real. Segundo uma fonte da CNN Brasil, a pediofobia — medo intenso e irracional de bonecos — não se limita a figuras de ficção, podendo envolver também manequins e figuras caricatas. Este medo, que muitas vezes ultrapassa o universo do entretenimento, é reconhecido na psicologia como uma fobia, considerada dentro dos transtornos de ansiedade.

A neuropsicóloga Luciana Xavier explica que essa fobia interfere na percepção e na interação do indivíduo, fazendo com que o contato com bonecos seja interpretado como uma ameaça. "O medo intenso bagunça os sentidos de interação, percepção, atenção, memória, aprendizagem e regulação emocional. O estímulo e o contato passam a ser interpretados como ameaça e mobilizam respostas de defesa. Ao fugir, a pessoa sente alívio. Esse alívio imediato pode fortalecer o desvio das respostas, dificultando novas experiências que poderiam ajudar a reverter essa expectativa de ameaça", esclarece ela.

Além do impacto emocional, a especialista ressalta que a vergonha é um fator agravante: quem sofre de pediofobia tende a evitar lojas, festas ou ambientes onde imagina encontrar bonecos, além de esconder sua dificuldade por receio de ser ridicularizado. Comentários como "isso é bobagem" desconsideram a real reatividade de quem tem esse medo, uma reação que não é tão simples de ser controlada.

A teoria do "Vale da Estranheza", cunhada pelo japonês Masahiro Mori em 1970, também ajuda a compreender essa condição. Segundo ela, objetos ou personagens que se assemelham muito aos seres humanos podem causar rejeição ou repulsa, mesmo sem a intenção consciente de tal reação. Assim, a sensação de estranheza ao ver bonecos que parecem quase humanos explica por que o medo é tão forte em algumas pessoas.

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Para quem deseja superar essa aversão, a especialista recomenda a terapia cognitivo-comportamental com exposição terapêutica. Essa abordagem envolve, inicialmente, conversas e observação de imagens, passando depois para a aproximação gradual de bonecos reais, sempre sob supervisão profissional. A tentativa é modificar a resposta do cérebro ao estímulo, possibilitando uma convivência mais tranquila com esses objetos no cotidiano.

Embora ainda não haja informações confirmadas oficialmente sobre a prevalência exata do fenômeno ou detalhes adicionais, esses tratamentos têm trazido esperança para quem enfrenta esse medo. Assim como no universo do terror, que fascina milhões durante o Halloween, a ciência busca entender e melhorar a relação de quem sofre com o medo de bonecos.

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O que sabemos?

  • A pediofobia é uma fobia relacionada ao medo de bonecos e objetos semelhantes.
  • A neuropsicóloga recomenda terapia cognitivo-comportamental com exposição gradual como tratamento.
  • O medo pode envolver manequins, bonecos de filmes de terror e figuras caricatas.
  • Segundo a fonte, o fenômeno provoca impacto na vida social e emocional dos afetados.

Fontes

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