Saúde

Nova alternativa na luta contra o diabetes e obesidade: medicamentos genéricos à base de liraglutida chegam ao Brasil

Em apuração ?

Entenda as diferenças entre os medicamentos disponíveis e suas indicações

Ampolas de medicamentos de liraglutida em frascos de aplicação para tratamento de diabetes e obesidade
Imagem: CNN Brasil

Dois medicamentos genéricos de liraglutida foram aprovados pela Anvisa, trazendo opções para tratamentos de diabetes e obesidade. Apesar de similares, há diferenças na aplicação, potência e mecanismo de ação.

Na última semana, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de dois medicamentos genéricos à base de liraglutida, fabricados pela farmacêutica EMS, chamados Olire e Lirux. Esses medicamentos entram no mercado brasileiro oferecendo alternativas acessíveis aos tratamientos com remédios já existentes, como o Ozempic e o Mounjaro, que usam outros princípios ativos. Ainda que todos sejam utilizados para tratar diabetes tipo 2 e obesidade, há diferenças importantes entre eles que merecem atenção tanto por profissionais de saúde quanto pelos pacientes.

Segundo informações de fontes da própria Anvisa, os medicamentos da EMS, que possuem 6 mg/mL de liraglutida em solução injetável, têm validade até setembro de 2036 e são classificados como “genérico – registro de medicamento – clone”, indicando que são similares aos produtos que serviram de referência, como o Olire e o Lirux. Essas drogas são indicadas, respectivamente, para pacientes com excesso de peso ou obesidade com comorbidades (como hipertensão, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares) e para adultos, adolescentes e crianças a partir de 10 anos com diabetes que não consegue controlar a glicemia apenas com dieta e exercício.

De acordo com estudos clínicos citados por fontes do setor, o Olire, por exemplo, apresenta uma média de perda de peso entre 8% e 10% ao longo de seis meses a um ano de uso. Ainda assim, fontes destacam que esses medicamentos de liraglutida possuem menor potência de perda de peso comparados a outros princípios ativos disponíveis no mercado, como a semaglutida e a tirzepatida. A semaglutida, utilizada no Ozempic, tem uma ação intermediária, enquanto a tirzepatida, presente no Mounjaro, é considerada a mais potente em resultar na perda de peso, podendo alcançar resultados médios superiores.

Uma diferença importante está na frequência de aplicação — enquanto Ozempic e Mounjaro geralmente demandam injeções semanais, os medicamentos à base de liraglutida precisam ser administrados diariamente, o que pode influenciar na adesão ao tratamento. Além do mais, o mecanismo de ação das drogas também difere: a molécula de liraglutida, presente no Olire e no Lirux, atua estimulando a liberação de insulina de modo mais contínuo, ajudando no controle da glicemia e na redução do apetite, porém sua eficácia em perda de peso é considerada menor quando comparada a outros princípios ativos, segundo estudos.

Segundo uma fonte do setor farmacêutico, a expectativa é de que esses registros ajudem a ampliar as opções de tratamento no país, especialmente considerando o fim da patente de Ozempic e os custos mais elevados associados a esses medicamentos de marca. Ainda não há uma confirmação oficial de impacto na prática clínica ou nos preços, e o próprio mercado ainda aguarda possíveis alterações na produção e distribuição. A discussão sobre a eficácia, segurança e acessibilidade dessas novas opções deve continuar, enquanto profissionais de saúde reforçam a importância de acompanhamento médico para quem pretende iniciar esses tratamentos.

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O que sabemos?

  • Foram aprovados na última semana dois medicamentos genéricos à base de liraglutida pela Anvisa.
  • Os medicamentos, chamados Olire e Lirux, foram fabricados pela EMS e possuem validade até setembro de 2036.
  • Eles são indicados para tratamento de obesidade ou sobrepeso com comorbidades, e para diabetes tipo 2 em crianças e adultos acima de 10 anos.
  • Esses medicamentos aplicam-se diariamente, diferente do Ozempic e Mounjaro, que são administrados semanalmente.
  • Potência de perda de peso dos medicamentos à base de liraglutida é menor comparada ao Ozempic e Mounjaro.

Fontes

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