Por que a dor persiste em quem teve Covid longa? Pesquisadores investigam o papel da proteína spike
Estudo na UFRJ aponta que proteína do vírus pode estar ligada às dores musculares e nervosas após a infecção
Professores da Faculdade de Farmácia da UFRJ observam que sintomas dolorosos persistem em alguns pacientes pós-Covid e investigam como a proteína spike do Sars-CoV-2 pode provocar esses efeitos.
A dor contínua é um dos sintomas que mais preocupa pacientes que enfrentam a Covid longa, condição em que os sinais do coronavírus persistem mesmo após a fase aguda da doença. Segundo pesquisadores da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), esse sintoma pode estar relacionado à ação da proteína spike, presente na superfície do vírus Sars-CoV-2, que teria efeitos diretos no sistema nervoso e muscular.
Durante a segunda onda da pandemia no Brasil, a professora associada da UFRJ Giselle Passos contraiu a Covid-19. Após se recuperar, ela continuou sentindo dores musculares e no nervo ciático – algo incomum para ela antes da infecção. Essas dores exigiram tratamento com medicamentos e sessões de fisioterapia. Tanto Giselle quanto seu colega, também professor e pesquisador no mesmo departamento e laboratório, passaram a se questionar sobre as causas dessa persistência dolorosa após a Covid.
No laboratório, os cientistas estudavam os mecanismos da dor e, na mesma época em que Giselle enfrentava esse quadro, desenvolviam pesquisas que demonstraram em modelos animais que a proteína spike poderia provocar déficits cognitivos semelhantes aos observados em pacientes com Covid longa. Essa descoberta deu origem à hipótese de que a mesma proteína poderia explicar também a dor persistente após a infecção.
Os sintomas dolorosos que muitas pessoas experimentam meses depois da Covid incluem tanto dores musculares como aquelas associadas a nervos como o ciático, indicando que o efeito pode ser multifatorial. O grupo da UFRJ segue investigando essas hipóteses para entender como o vírus, ou partes dele, continuam causando danos mesmo depois de vencida a fase infecciosa da doença.
Essa linha de pesquisa é importante porque esclarece aspectos que complicam o tratamento e a reabilitação de pacientes com Covid longa, indicando a necessidade de terapias direcionadas para essas sequelas específicas. Além disso, entender o papel da proteína spike vai além da Covid: pode ajudar também no desenvolvimento de estratégias para sintomas pós-virais semelhantes em outras infecções.
O que sabemos?
- A dor persistente é um sintoma comum em pacientes com Covid longa.
- Professores da Faculdade de Farmácia da UFRJ pesquisam os mecanismos da dor relacionados à Covid.
- A professora Giselle Passos teve dores musculares e no nervo ciático após a Covid, precisando de tratamento.
- Estudos indicam que a proteína spike do Sars-CoV-2 pode estar envolvida nos sintomas persistentes, como déficits cognitivos e dor.
O que ainda não foi confirmado?
- Informação sobre o envolvimento da proteína spike na dor após Covid foi divulgada apenas pela Folha de S.Paulo e aguarda confirmação de outras fontes.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa
