Dados do IBGE revelam desigualdades enfrentadas por pessoas com deficiência no Brasil
Maior analfabetismo e condições de moradia precárias marcam a realidade da população com deficiência, aponta pesquisa
O IBGE divulgou que pessoas com deficiência enfrentam dificuldades acadêmicas e moradias mais precárias. Os dados revelam disparidades que impactam desde o acesso à educação até a infraestrutura do dia a dia.
Segundo o IBGE, pessoas com deficiência no Brasil ainda enfrentam uma realidade bastante desafiadora, com maiores taxas de analfabetismo e condições de moradia inferiores às de quem não possui deficiência. A divulgação ocorreu nesta sexta-feira (18), como parte de um informativo baseado no último Censo Demográfico e outras pesquisas do órgão, em preparação para o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro.
Segundo as informações, a taxa de analfabetismo entre jovens de 15 a 29 anos com deficiência foi de 12,2% em 2022. Já na população da mesma faixa etária sem deficiência, esse índice foi de apenas 1%. A disparidade também aparece nas faixas de idade mais elevadas, como de 50 a 59 anos, onde o analfabetismo chega a 18% entre pessoas com deficiência, contra 7,9% nas sem deficiência. Ainda, na população de 60 anos ou mais, os índices sobem para 27,9% e 14,4%, respectivamente. O IBGE explicou que esse cenário reflete, em parte, a maior concentração de idosos com deficiência, mas também indica uma desigualdade persistente entre os jovens.
Além do aspecto escolar, o estudo revelou que as condições de moradia dessas pessoas são piores. Aproximadamente 60% das residências onde vivem pessoas com deficiência possuem acesso ao esgotamento sanitário adequado, contra cerca de 63% das moradias de quem não tem deficiência. O acesso à água potável via rede chega a 82% em lares com deficiência e a 83,1% nos sem deficiência. A coleta de lixo também mostra diferença, com 90,1% das residências de pessoas com deficiência tendo acesso ao serviço, frente a 91,1% nas demais. Outras questões de infraestrutura ainda evidenciam desigualdades: quase 2,4% dessas residências não têm banheiro exclusivo, e 1,4% são construídas com materiais não duráveis, comparados a índices mais baixos nas residências de quem não tem deficiência.
Outro ponto que chamou atenção foi o acesso à internet, presente em 78,9% dos lares de pessoas com deficiência, enquanto nas residências sem deficiência esse percentual sobe para 90,2%. Quanto ao uso de eletrodomésticos, o cenário também é desfavorável: 60,4% dos lares com deficiência possuem uma máquina de lavar, ao passo que 68,9% das residências sem deficiência contam com esse item. Essas diferenças evidenciam que a desigualdade, além de ficar visível na educação, também se manifesta na infraestrutura e acesso a serviços básicos, reforçando a necessidade de políticas específicas para diminuir essas desigualdades.
O que sabemos?
- Pessoas com deficiência têm maior taxa de analfabetismo.
- As condições de moradia dessas pessoas são inferiores.
- Há diferenças no acesso a saneamento básico e internet.
- Desigualdade é ampla em diversas áreas, incluindo educação e infraestrutura.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa
- Agência Brasil fonte oficial




