Política

Vila britânica realiza referendo simbólico contra acolhimento de migrantes

Em apuração ?

Moradores de Piddington votam pela saída do Reino Unido em protesto contra plano de alojar solicitantes de asilo

Moradores de Piddington participando do referendo comunitário
Imagem: BBC News Brasil

Em uma pequena votação, moradores de uma vilarejo em Oxfordshire mostraram forte manifestação contra a decisão do governo de hospedar mais de mil migrantes em uma antiga base militar, elevando o debate sobre imigração no país.

Moradores de Piddington, uma vila próxima a Bicester, em Oxfordshire, realizaram nesta terça-feira um referendo simbólico para decidir se permanecem ou não na União do Reino Unido. Segundo fontes da própria comunidade, o voto aconteceu como uma resposta às propostas do Ministério do Interior, que prevê abrigar até 1.256 homens solicitantes de asilo em uma antiga base militar próxima ao Ministério da Defesa na região. Das 312 cédulas registradas na votação, 285 votaram a favor da saída da vila do Reino Unido, enquanto 26 votaram contra e uma ficou anulada, segundo informações da organização responsável pela iniciativa, o conselho paroquial de Piddington.

A iniciativa foi organizada de forma espontânea pelos moradores, que depositaram seus votos em uma urna colocada na entrada do salão comunitário. A vice-presidente do conselho paróquial, Susannah Parden, declarou: "Nós somos Piddington, a vila que ruge." Já o presidente do conselho, Tim McNally, afirmou: "Este é um exemplo da democracia em funcionamento. Entramos neste salão comunitário como azarões — tínhamos uma ideia ousada. Enviamos uma mensagem ao mundo."

Apesar do resultado expressivo, o governo do país confirmou que não pretende reconsiderar a decisão de abrigar os migrantes na base militar, reforçando a postura de que o país precisa distribuir melhor o acolhimento. Segundo a secretária de Cultura, Lisa Nandy, "não há justificativa para reavaliar a proposta" e ela reforçou que, apesar da forte manifestação, o planejamento deve seguir, já que há uma fila grande de pedidos de asilo e o governo afirmou estar agilizando os processos de tramitação.

O primeiro-ministro Robert Burnham manifestou compreensão pelo sentimento da comunidade, mas ressaltou que é preciso garantir justiça na distribuição dos solicitantes pelo país. Ele destacou que as ações têm como objetivo reduzir drasticamente o número de travessias ilegais que, atualmente, atingiram o nível mais baixo em sete anos. Burnham afirmou ainda que o governo se compromete a acabar com o uso de hotéis para alojar refugiados e solicitantes de asilo, justificando a necessidade de ações mais justas em todo o território britânico.

Por sua vez, o secretário de Estado-sombra do Interior apontou que o resultado da votação deve servir de alerta para o governo central, e que a mensagem de Piddington reflete o cansaço da população com o aumento de imigrantes ilegais e a ocupação de instalações temporárias. Ainda não há confirmações oficiais de que o resultado influenciará mudanças na política de acolhimento, que permanece a cargo do Ministério do Interior, ainda que a controvérsia continue se intensificando.

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O que sabemos?

  • Moradores de Piddington votaram contra a proposta de abrigar migrantes na base militar.
  • A votação aconteceu nesta terça-feira, com 285 votos a favor da saída.
  • O objetivo do referendo foi protestar contra o plano do Ministério do Interior de acolher mais de 1.200 migrantes.
  • O conselho paroquial organizou a votação, com a participação de 350 moradores.
  • O governo afirmou que não reconsiderará a decisão, reforçando a necessidade de uma distribuição justa dos refugiados.

Fontes

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