Propostas de candidatos à presidência sob o olhar da tecnologia no combate à corrupção
Uso de inteligência artificial e confisco de bens entram na pauta eleitoral de 2026
Após aumento na preocupação dos brasileiros com a corrupção, candidatos apresentam projetos que incluem tecnologia e ações mais duras contra desvios de recursos públicos.
A preocupação com a corrupção ganhou destaque na política brasileira nos últimos 12 dias, segundo uma pesquisa divulgada nesta semana. No início de setembro, 14% dos entrevistados apontavam o corrupção como a principal questão, mas esse número subiu para 22% agora. Em meio a esse cenário, o portal g1 apurou as propostas de todos os principais candidatos à Presidência para o combate ao problema, com foco em estratégias que envolvem o uso de tecnologia e ações de endurecimento de penas.
O candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, planeja aprofundar o Plano de Integridade e Combate à Corrupção, lançado em 2024, trazendo uma forte ênfase na prevenção, investigação e responsabilização de quem comete crimes de corrupção. Entre suas propostas, está a transformação do Portal da Transparência em uma plataforma que utilize dados abertos e inteligência artificial, com o objetivo de facilitar a fiscalização e o monitoramento das ações do governo. Além disso, Lula pretende fortalecer a Ouvidoria-Geral da União e ampliar mecanismos de participação social, ao mesmo tempo em que critica práticas como as emendas impositivas e o orçamento secreto, embora sem apresentar, até o momento, planos específicos de reforma nesse sistema, segundo informações ainda não confirmadas oficialmente.
Por outro lado, o senador Flávio Bolsonaro, do PL-SP, propõe fortalecer a lei que regula as estatais e proteger empresas públicas e fundos de pensão contra indicações políticas. Seu projeto inclui a adoção de critérios de mercado para recrutamento de cargos de direção nessas instituições e maior transparência na tramitação de emendas parlamentares. Flávio também planeja ampliar o controle e a rastreabilidade dos recursos públicos, além de manter uma agenda contínua de avaliação dos gastos do governo.
Outro candidato, Cury, sugere a criação do programa “Sociedade Está de Olho”, uma rede colaborativa composta por cidadãos, universidades, entidades civis e órgãos de controle. O objetivo é acompanhar de perto a aplicação dos recursos públicos. Sobre a segurança na Previdência, a proposta inclui reforços contra fraudes similares aos mecanismos adotados em 2019 e uma revisão na governança dos empréstimos consignados do INSS para evitar descontos não autorizados, baseando-se em mecanismos de dupla checagem.
Segundo especialistas da área, mesmo com as propostas, ainda não há detalhes necessários para uma implementação efetiva, como cronogramas, custos ou fontes de recursos. Guilherme France, gerente de Advocacy da Transparência Internacional Brasil, afirma que políticas contra corrupção precisam ser mais do que sugestões genéricas; é essencial que ofereçam estruturas claras e mecanismos de acompanhamento com participação da sociedade civil. Assim, o combate à corrupção pode ganhar em transparência e efetividade, algo que ainda está em fase de elaboração pelos candidatos, de acordo com as informações disponíveis.
O que sabemos?
- A preocupação com corrupção cresceu de 14% para 22% entre 2 de setembro e esta semana.
- Candidatos à presidência propõem uso de inteligência artificial para combate à corrupção.
- Lula propõe aprofundar Plano de Integridade e transformar o portal de transparência com tecnologia.
- Flávio Bolsonaro quer fortalecer leis de estatais e aumentar a transparência nas emendas.
- Ainda não há detalhes completos ou cronogramas nas propostas apresentadas pelos candidatos.
Fontes
- G1 imprensa





