Investigação do Ministério Público aponta pressão eleitoral por parte de prefeito de Cotia
Denúncia revela tentativa de coação de servidores para apoio a candidato de uma família política
O Ministério Público do Trabalho abriu investigação contra o prefeito de Cotia após denúncias de que ele teria pressionado servidores a fazer campanha para um candidato a deputado federal. Segundo fontes, ameaças de demissão foram feitas por mensagens no WhatsApp.
Segundo informações obtidas pelo g1, o Ministério Público do Trabalho (MPT) investiga o prefeito de Cotia, Welington Formiga (PDT), por possíveis práticas de coação eleitoral contra secretários e outros integrantes do primeiro escalão da prefeitura. A denúncia aponta que o prefeito teria usado um grupo de WhatsApp, que reúne cerca de 105 membros — incluindo secretários, assessores e chefes de gabinete — para pressionar funcionários a apoiarem oficialmente o candidatura de Eduardo Mascarenhas, conhecido pelo personagem de TV Xaropinho, nas eleições de 2026. Ainda de acordo com o denunciante, Formiga teria afirmado no grupo que quem não participasse da campanha ou apoiasse outros candidatos poderia ser demitido entre os dias 5 e 10 de outubro. Segundo uma fonte que preferiu não ser identificada por medo de retaliação, "ele está ameaçando demitir 100 pessoas, quer que a gente trabalhe para o candidato dele e que não faça campanha para outros candidatos. Isso é coação, é crime! E ele continua, parece que ele não tem limite".
O prefeito também negou as acusações, porém, fontes indicam que as mensagens de apoio à campanha do candidato e à unificação do grupo de trabalho foram enviadas por Formiga em diferentes momentos. Em uma das gravações divulgadas, ele sugere que, ao unificar esforços, seria possível eleger dois deputados — o estadual Fran Silva e o federal Xaropinho —, enfatizando que “é só a gente querer, ‘é só você querer, que amanhã assim será’”. Ainda, às 22h39 de uma mensagem enviada pelo prefeito, há uma clara indicação de que servidores que não apoiarem o candidato poderiam deixar a prefeitura a partir de 5 de outubro, com a frase: “Tem um pessoal que vai começar a me ajudar dia 5 na campanha, aí já poderão apoiar a oposição”.
Segundo a denúncia, a pressão teria começado em 2025, mas intensificado com o início do período eleitoral, incluindo cobranças de publicações, compartilhamentos e vídeos de apoio nas redes sociais, além de orientações para que funcionários se cadastrassem na campanha. Testemunhas afirmam que as ações se deram por meio do grupo de WhatsApp, onde o prefeito teria reforçado a necessidade de apoio político ao seu candidato e ameaçado aqueles que não colaborassem. Ainda não há confirmação oficial do envolvimento de outros integrantes da gestão, e o próprio prefeito de Cotia não se pronunciou oficialmente além de negar as acusações — o que, por enquanto, mantém as investigações do Ministério do Trabalho em andamento.
O caso levanta questionamentos sobre o uso do poder público para obtenção de vantagens eleitorais, vedada por lei eleitoral brasileira, que garante o voto livre e secreto, além de proibir constrangimentos nesse processo. A investigação do MPT busca apurar se houve abuso de poder ou fixação de práticas que possam configurar assédio eleitoral, além de avaliar possíveis punições a quem participaria dessas ações de coação.
O que sabemos?
- O Ministério Público do Trabalho investiga o prefeito de Cotia por denúncias de coação eleitoral.
- O prefeito teria pressionado servidores via grupo de WhatsApp para apoiar um candidato a deputado federal.
- Mensagem do prefeito indica que quem não apoiar o candidato poderia ser demitido entre 5 e 10 de outubro.
- As denúncias envolvem cerca de 100 servidores, incluindo secretários e chefes de gabinete.
- O prefeito de Cotia negou as acusações, mas as investigações continuam.
Fontes
- G1 imprensa





