Política

Jovens chineses redescobrem Mao Tsé Tung após 50 anos de sua morte

Em apuração ?

O fascínio dos jovens pela figura do líder que marcou o século 20 na China surpreende especialistas e reacende debates sobre a história do país

Estátua gigante de Mao Tsé Tung na Ilha Laranja, em Changsha, com jovens ao redor.
Imagem: BBC News Brasil

Cinco décadas após sua morte, Mao Tsé Tung tem despertado interesse entre a juventude chinesa, especialmente em plataformas online. Essa relação contrasta com a narrativa oficial adotada desde 1981, que passou a tratar Mao como uma figura histórica com méritos e erros.

Nos últimos anos, tem se observado uma valorização da figura de Mao Tsé Tung entre os jovens chineses, especialmente nas redes sociais e plataformas de vídeo. Segundo uma matéria da BBC News Brasil, a popularidade de Mao despertou atenção pública após sua morte, ocorrida em 9 de setembro de 1976. Como explica a fonte, uma parte significativa dessa juventude se dedica a assistir vídeos compilados que retratam diferentes fases da vida do líder, desde sua juventude até seu papel como comandante militar e líder na época das campanhas revolucionárias.

Uma dessas jovens que mostraram fascínio por Mao foi Dong, um estudante de Nanjing. Ele relatou que se emocionou ao ver um vídeo de duas jovens cantando uma canção patriótica na frente de uma estátua gigante do líder na Ilha Laranja, em Changsha. Segundo o estudante, “elas cantaram com tanta emoção, e a estátua é tão alta”, afirmou à BBC. Essa adesão à figura de Mao, anteriormente associada à narrativa oficial que buscava minimizar seus excessos, parece indicar uma mudança de percepção entre os jovens, que muitas vezes chamam Mao de “Professor” ao invés de usarem seu nome.

Dados levantados mostram que, desde 2019, o livro "Obras Selecionadas de Mao Tsé Tung" tem sido uma das obras mais emprestadas na biblioteca da Universidade de Tsinghua, permanecendo nessa posição até pelo menos 2025. Esse fenômeno é considerado incomum, já que, após a morte de Mao e a ascensão de Deng Xiaoping em 1981, a narrativa oficial passou a equilibrar os feitos do líder com seus erros históricos, adotando uma postura mais crítica. As imagens de Mao desapareceram progressivamente de locais públicos e instituições, marcando uma tentativa de afastar sua figura da memória oficial como uma divindade.

Entretanto, o cenário mudou nos últimos anos: Mao voltou a ser uma presença mais visível na cultura jovem, que, diferentemente de seus pais, não o vê mais apenas como uma figura do passado, mas como símbolo de um certo ideal de força e liderança. Muitos jovens hoje demonstram interesse por sua trajetória e suas ações, mesmo reconhecendo aspectos controversos de seu governo, como o Grande Salto Adiante e a Revolução Cultural.

Por enquanto, ainda não há confirmações oficiais de uma mudança na política de memória oficial do Partido Comunista Chinês acerca de Mao, que permanece como uma figura histórica ao lado de outros fatos e personagens. A própria Universidade de Tsinghua, um centro de estudos de elite no país, parece refletir essa nova fase, onde Mao ganha destaque novamente na cultura juvenil, alimentando debates sobre o passado e o presente da China.

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O que sabemos?

  • Mao Tsé Tung morreu em 1976 e sua trajetória como líder chinês é reconhecida por sua importância histórica.
  • Após a morte de Mao, a narrativa oficial do governo chinês passou a avaliar sua figura de forma mais equilibrada, incluindo seus erros e méritos.
  • Desde 2019, o livro "Obras Selecionadas de Mao Tsé Tung" é uma das obras mais emprestadas na Biblioteca da Universidade de Tsinghua e manteve essa posição até pelo menos 2025.
  • O Partido Comunista Chinês não confirmou oficialmente mudanças na política de memória acerca de Mao.

Fontes

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