Política

Primeira vez na história, dois governadores oriundos do Exército assumem juntos no Brasil

Em apuração ?

Tarcísio de Freitas e Luciano Zucco, ambos ex-militares, comandam estados importantes após eleição marcada por mudanças na política militar

Imagem de dois homens fardados ao lado de placas de seus estados atuando como governadores
Imagem: Folha de S.Paulo

A eleição de 2022 marcou um momento único na política brasileira: pela primeira vez desde a redemocratização, dois governadores de estados relevantes são ex-militares ativos ou formados pelo Exército. Tarcísio de Freitas, de São Paulo, e Luciano Zucco, do Rio Grande do Sul, chegaram ao cargo numa conjuntura que envolve questionamentos sobre o papel das Forças Armadas na política.

Nunca na história do Brasil republicano dois governadores oriundos do Exército tiveram mandatos simultâneos em estados de grande destaque. Segundo fontes, essa situação aconteceu pela primeira vez na democracia brasileira, com a eleição de Tarcísio de Freitas, em São Paulo, e Luciano Zucco, no Rio Grande do Sul. Ambos têm ligações com a mesma turma da Escola de Formação Militar, a Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), e suas trajetórias estão profundamente ligadas ao cenário político-partidário que emergiu após uma onda de militarização na política, desencadeada em grande parte pelo bolsonarismo. Ainda não há confirmação oficial de que ambos tenham uma ligação direta nesse fenômeno, mas há quem destaque o fato de serem amigos de turma da mesma escola militar, tendo concluído o curso em 1996.

Segundo informações apuradas, Tarcísio de Freitas, 51 anos, foi nomeado ministro da Infraestrutura pelo então presidente Jair Bolsonaro em 2019, marcando sua saída das forças armadas após uma década de carreira na reserva. Antes de ingressar na política, ele tinha uma formação em engenharia. Já Luciano Zucco, de 52 anos, pulou diretamente dos quartéis para a política, tendo sido eleito deputado federal pelo RS em 2022, pelo partido Republicanos, e anteriormente atuado na reserva como tenente-coronel da Cavalaria. Ele também foi deputado estadual em 2018, eleito pelo PSL, e se apresentou às urnas como 'Tenente-coronel Zucco', contrariando as leis que restringem a apresentação de patentes por militares na política. Sua ligação com figuras do meio militar, como o vice-presidente Hamilton Mourão, reforça uma aproximação entre as Forças Armadas e o cenário político.

Segundo fontes ouvidas, Zucco foi apoiado por Mourão durante sua campanha e reconhecido por ter investido em uma estratégia de campanha que explorou o sentimento patriótico e de polarização nacional, fatores considerados essenciais na sua vitória. Ainda não há confirmação oficial de que esse apoio tenha sido decisivo, e o próprio Mourão minimizou sua atuação, dizendo que foi apenas um 'humilde indutor' do crescimento do então candidato.

O que chama atenção na eleição de Zucco, além da sua trajetória de militar para político, é o fato de que ele e Tarcísio, com idades próximas e formados na mesma turma da Aman, assumem cargos em momentos em que há uma renovada presença de militares no cenário político brasileiro. O cenário atual ainda está sob o impacto da condenação e prisão de militares de alta patente por tentativa de golpe em 2022, o que torna a presença de dois governadores oriundos do Exército ainda mais notável, apesar de ainda não confirmado oficialmente o peso desse fator na vitória de ambos.

O fenômeno desperta debates sobre o papel dos militares na política atual do país, especialmente após quase uma década de forte influência do bolsonarismo, que promoveu várias nomeações e uma maior visibilidade para ex-militares em cargos públicos eletivos. Ainda não há uma confirmação oficial de que há um movimento coordenado entre esses líderes militares-eleitos para promover uma maior influência das Forças Armadas na gestão pública, porém, o cenário suscita discussões sobre limites e o futuro da participação militar na administração do Brasil.

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O que sabemos?

  • Tarcísio de Freitas, 51 anos, e Luciano Zucco, 52 anos, foram eleitos governadores do Estado de São Paulo e do Rio Grande do Sul, respectivamente.
  • Ambos são da mesma turma da Escola de Formação Militar das Agulhas Negras (Aman), concluída em 1996.
  • Zucco é da Cavalaria e entrou na política após atuar no GSI durante o governo Dilma Rousseff.
  • Tarcísio deixou a carreira militar para assumir cargos públicos, incluindo o de ministro da Infraestrutura.
  • A eleição de Zucco foi apoiada por figuras vinculadas ao meio militar, como o vice-presidente Hamilton Mourão, embora sem confirmação oficial de apoio decisivo.

Fontes

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