Política

Estudo aponta que prática de 'voto de cajado' em igrejas é rara, com apenas 3% de transmissão com propaganda

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Pesquisa revela que quase não há orientação política nas igrejas durante período eleitoral

Religioso durante missa, monitorada pelo estudo.
Imagem: Folha de S.Paulo

Um levantamento nacional mostra que, apesar de relatos de pressão religiosa na política, apenas uma pequena parcela das transmissões religiosas nas vésperas do primeiro turno apresentou propaganda eleitoral.

Um estudo recente conduzido pela More in Common Brasil, em parceria com o grupo de pesquisa Passagens, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), trouxe dados que contrariaram o senso comum de que lideranças religiosas pressionam fiel na direção de determinado voto. A pesquisa, que analisou 7.456 missas e cultos realizados em 25 estados do Brasil (exceto o Acre) e no Distrito Federal, revelou que apenas 3,2% dessas transmissões apresentaram algum tipo de propaganda eleitoral durante os dois domingos que antecederam o primeiro turno das eleições. Essas transmissões abrangem desde pedidos explícitos de voto até bênçãos direcionadas a candidatos ou campos políticos, o que caracteriza a chamada prática do 'voto de cajado'.

Segundo os responsáveis pelo estudo, as transmissões com conteúdo político positivo ou negativo direcionado a candidaturas ocorridas entre os dias 20 e 27 de setembro somaram apenas 237 transmissões, de um total de 7.456 eventos monitorados. Os pesquisadores inclusive categorizaram esse tipo de prática como uma forma de propaganda eleitoral que, apesar de existente, é pouco frequente no cotidiano religioso do país. Entre os templos observados, há 1.785 igrejas católicas, assim como cultos batistas e da Assembleia de Deus — denominações bastante populares e com autonomia administrativa muitas vezes divergente entre si, o que também impacta na possibilidade de manifestações políticas coordenadas.

Apesar de existirem casos de líderes religiosos que pedem votos na igreja, os resultados da pesquisa indicam que esses exemplos representam uma minoria. Ainda assim, o tema virou objeto de debate, já que a prática de orientar fiéis a votar em determinados candidatos é perseguida por uma legislação eleitoral que proíbe o uso de igrejas para fins políticos, e por órgãos responsáveis pela fiscalização. Dados oficiais ainda não confirmaram a existência de uma orientação sistemática dessas lideranças, mas a baixa incidência de transmissões com propaganda eleitoral reforça a hipótese de que a influência religiosa nesse aspecto permanece limitada na maior parte do Brasil.

Por ora, é importante salientar que o levantamento não foi capaz de confirmar a existência de uma prática generalizada de 'voto de cajado' nas igrejas brasileiras, mesmo que casos isolados possam ocorrer. O estudo se limita a números, e nenhuma declaração de líderes religiosos ou representantes das organizações estudadas foi divulgada até o momento. Assim, a percepção de que essa influência seja comum parece não se sustentar diante dos dados atuais, que apontam uma presença quase insignificante de manifestações políticas nas transmissões religiosas em período eleitoral.

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O que sabemos?

  • Apenas 3,2% das transmissões religiosas monitoradas apresentaram propaganda eleitoral.
  • O estudo foi conduzido pela More in Common Brasil em parceria com a UFRJ.
  • Foram analisados 7.456 eventos em 25 estados, mais o Distrito Federal.
  • O período de análise corresponde aos dois domingos que antecederam o primeiro turno das eleições.

Fontes

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