Política

Eleição mostra crescimento de mulheres na política de direita, mas sem uma onda de liderança feminina

Em apuração ?

Partidos conservadores investiram em candidaturas femininas, mas a presença de mulheres à direita não se refletiu proporcionalmente nas bancadas

Mulheres na política brasileira durante a campanha eleitoral
Imagem: Folha de S.Paulo

Apesar de a direita ter incluído mais mulheres em suas candidaturas, as bancadas femininas na Câmara e no Senado continuam com maior representação de grupos de centro e esquerda, indicando que a expansão feminina ocorreu de forma desigual e não resultou numa onda de lideranças femininas conservadoras.

Segundo fontes da pesquisa recente, a composição das bancadas femininas no Congresso brasileiro revela que, embora partidos de direita tenham investido em candidaturas femininas, essa estratégia ainda não provocou uma ampliação proporcional na presença de mulheres alinhadas ao espectro conservador. Na última eleição, observou-se que a bancada feminina na Câmara dos Deputados, composta por 513 integrantes, tem uma representatividade de 48% de mulheres de partidos de direita, enquanto as mulheres de esquerda respondem por 43%. Ainda que essa proporção pareça equilibrada, ela contrasta com a maioria de parlamentares de direita no total da Casa, que é de 59%, indicando que a presença feminina de direita ainda representa uma parcela menor do universo total de deputados.

Na análise das senadoras eleitas, a situação também evidencia essa disparidade. Das 12 senadoras que tomaram posse nesta semana, apenas quatro fazem parte de partidos de esquerda. Além disso, a bancada feminina senatorial que começará a atuar em 2027 deverá ser composta por 18 integrantes, sendo 55,5% de direita, 33,4% de esquerda e apenas 11,1% de centro. Essa distribuição ainda reflete uma predominância da orientação de direita narepresentação feminina na Casa, embora o total da composição do Senado, que também passará por mudanças até lá, incline-se mais à direita, com previsão de 64,2% dos senadores alinhados a esse espectro.

De acordo com a diretora-executiva do Instituto Update, Carolina Althaller, esse crescimento de candidatas femininas de direita deve ser entendido como uma disputa mais ampla pelo controle dos espaços políticos, onde o partido que explora melhor suas estruturas de recursos, comunicação digital e base eleitoral consegue melhorar sua presença. Ela destacou que o fortalecimento de candidaturas femininas do lado conservador, especialmente no âmbito do PL — partido que abrigou o bolsonarismo —, só foi possível porque essas legendas investiram em estratégias específicas, incluindo recursos financeiros e uma comunicação digital eficiente. Althaller ainda observou que essa movimentação indica uma tentativa da direita de oferecer às mulheres um espaço próprio dentro de sua agenda, incluindo posições contrárias ao que tradicionalmente se associa ao movimento feminista.

Por outro lado, a cientista política Débora Thomé pontua que os dados de que as mulheres eleitas são menos conservadoras do que o restante do Congresso demonstram que não houve uma verdadeira onda de lideranças femininas de direita. Segundo ela, o que aconteceu foi uma força própria da direita que, ao ampliar sua capacidade eleitoral, também levou mais mulheres a Brasília, embora essa presença ainda não seja majoritariamente conservadora. Thomé reforça que a disputa pelo controle do espaço político feminimo reflete uma disputa maior entre esquerda e direita, com cada lado buscando dominar essa parcela do eleitorado e da representação parlamentar. Ainda não há confirmação oficial de que esse movimento seja uma estratégia consolidada de longo prazo, mas os dados indicam que a dinâmica está em mudança, com potencial de evoluir nos próximos anos.

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O que sabemos?

  • Partidos conservadores investiram em candidaturas femininas.
  • As bancadas femininas de esquerda representam maior proporção na Câmara.
  • Na Câmara, 48% das mulheres são de direita, e 43% de esquerda.
  • Na Câmara, partidos de direita representam 59% dos deputados.
  • Das 12 senadoras eleitas, apenas 4 são de esquerda.
  • A bancada feminina de 2027 na Câmara deve ser com maioria de direita.
  • A bancada de senadores de 2027 será predominantemente de direita.

Fontes

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