Política

Milhares de candidatos mudam de ideologia nas eleições de 2026 e tendem à direita, aponta estudo

Em apuração ?

Levantamento revela que a maioria dos candidatos de centro que trocaram de postura política optaram pela direita, reforçando movimento observado desde 2022

Gráfico ilustrando a migração de candidatos entre os espectros políticos das eleições de 2022 e 2026
Imagem: Folha de S.Paulo

Um estudo do Inesc, em parceria com o Coletivo CommonData, analisou dados do TSE e identificou migração de candidatos de centro para a direita. Mais de metade desses políticos mudaram de espectro, com destaque para a preferência pelo segmento de direita na disputa atual.

Um levantamento divulgado pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), em parceria com o Coletivo CommonData, revela uma mudança significativa na orientação política dos candidatos às eleições presidenciais de 2026, em comparação com o pleito de 2022. Segundo os dados, de um total de 1.112 candidatos identificados como de centro em 2022, mais da metade deles, exatamente 599, ou 54%, migraram para outros espectros políticos ao concorrer novamente este ano.

O movimento mais acentuado de transferência foi para a direita, que recebeu cerca de 74% desses candidatos que deixaram o centro, enquanto apenas 26% migraram para a esquerda. Ainda de acordo com o estudo, a permanência no mesmo espectro político foi registrada por 46% dos candidatos de centro que participaram das duas eleições, indicando uma considerável rotatividade nesse segmento político. Esses números foram confirmados pela base de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com análise até 17 de agosto de 2026.

Entretanto, os dados indicam que o deslocamento de candidatos de direita para demais espectros foi mais conservador. Para quem saiu da direita e voltou a disputar em 2026, 76% permaneceu na mesma orientação, o mesmo percentual registrado entre quem tinha posição de esquerda e retornou. Mas o movimento de migração da esquerda para a direita foi mais presente, com 16,5% dos candidatos desse espectro mudando para a direita, enquanto apenas 8,1% fizeram o trajeto inverso, de direita para esquerda. Essas cifras sugerem uma tendência de maior atração por posições conservadoras entre os candidatos que trocaram de espectro político neste ciclo eleitoral, ainda que essa informação ainda não tenha sido oficialmente confirmada por outras fontes além do documento divulgado pelo Inesc, cuja análise foi feita com base na identificação por CPF no banco de dados do TSE.

Por enquanto, o estudo não aponta as motivações exatas desses movimentos ideológicos, nem as eventuais influências do contexto político atual. Além disso, o documento destaca que os dados ainda estão sujeitos a atualização, e que a classificação política se baseia na filiação partidária de cada candidato em cada eleição, sem considerar outros fatores de orientação ideológica. A reportagem tenta aguardar uma confirmação oficial de órgãos competentes para aprofundar a análise sobre o impacto dessas migrações na disputa presidencial de 2026.

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O que sabemos?

  • Mais da metade dos candidatos de centro em 2022 migraram de espectro político para 2026.
  • 74% dos candidatos que deixaram o centro foram para a direita.
  • A permanência no mesmo espectro foi de 46%.
  • A migração da esquerda para a direita foi de 16,5%, maior que a inversa (8,1%).

Fontes

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