Candidatos à Presidência do Brasil investem em expansão de data centers e infraestrutura de inteligência artificial
A corrida por recursos tecnológicos e a importância da infraestrutura digital na eleição de 2024
Diversos candidatos à presidência propõem medidas para ampliar a capacidade computacional do Brasil, focando na construção de data centers e no desenvolvimento de inteligência artificial, com ênfase na soberania digital.
Na atual disputa presidencial brasileira, um tema vem ganhando destaque entre os planos de governo dos candidatos: a expansão da infraestrutura de tecnologia e inteligência artificial no país. Segundo fontes, em 20 de agosto, o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva foi a Macaíba, no Rio Grande do Norte, anunciar a instalação de um supercomputador voltado para inteligência artificial, com um investimento estimado em R$ 1 bilhão. Ainda nesta mesma ocasião, o governo revelou planos para uma estrutura de computação avançada no Rio de Janeiro, em parceria com empresas chinesas, reforçando a estratégia de ampliar a capacidade tecnológica brasileira.
O objetivo central dessas ações, de acordo com os envolvidos, é fortalecer a infraestrutura que viabiliza a operação e o treinamento de sistemas de inteligência artificial, recurso considerado fundamental para a competitividade do país no cenário digital global. Entretanto, essa pauta não é exclusiva do governo petista. Como aponta uma fonte, quase todos os principais candidatos, incluindo Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), também defendem incentivos para instalação ou expansão de data centers.
Esses grandes ambientes, que reúnem servidores capazes de armazenar e processar enormes volumes de dados, aparecem como peças-chave na estratégia de fortalecimento da autonomia tecnológica do Brasil. Ainda segundo a fonte, apesar do consenso parcial, há divergências quanto ao papel do Estado na implementação dessas medidas, à atração de investimentos estrangeiros, à transferência de tecnologia e às questões ambientais, sobretudo relacionadas ao consumo de energia e recursos naturais.
O plano de Lula, que atualmente lidera as pesquisas para o primeiro turno, associa a ampliação dos data centers à soberania digital brasileira. Sua proposta envolve não só a construção de uma infraestrutura de computação centralizada, mas também a oferta de serviços de nuvem — plataformas que permitem armazenar e processar dados acessados pela internet — e o desenvolvimento de supercomputadores geridos por instituições nacionais. Além de justificar a importância da iniciativa, o programa prevê a implementação de requisitos de eficiência energética, o uso progressivo de fontes renováveis, a avaliação de impactos no sistema elétrico e hídrico, além de contrapartidas de conteúdo local.
Por outro lado, candidatos como Ronaldo Caiado pregam incentivos tributários com condições ambientais, tecnológicas e sociais. O plano dele também destaca a necessidade de energia renovável, de melhorar a eficiência no uso da água, além de gerar empregos, promover qualificação profissional e investir na expansão da rede elétrica, reservando capacidade para centros de pesquisa, universidades e empresas nacionais. Já Flávio Bolsonaro e Romeu Zema apontam para uma abordagem mais voltada à atração de investimentos privados, defendendo energia confiável e barata, além de um ambiente regulatório que facilite a instalação de estruturas de tecnologia por empresas do setor.
Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil afirmam que a expansão de data centers pode impulsionar o desenvolvimento tecnológico do Brasil, porém alertam que isso, por si só, não garante a soberania digital — uma capacidade de controlar, proteger e usar seus recursos tecnológicos de forma autônoma. Eles ressaltam que ainda há dúvidas sobre quais tipos de data centers esses candidatos pretendem atrair, os benefícios concretos que essas ações trariam ao país e quem arcaria com os custos de energia, água e infraestrutura necessários para sustentar esses projetos. Até o momento, nenhuma dessas questões foi detalhadamente esclarecida nos planos de governo.
O que sabemos?
- O presidente Lula anunciou, em agosto, um supercomputador no RN com investimento de R$ 1 bilhão.
- O mesmo anunciou uma estrutura de computação avançada no Rio de Janeiro, em parceria com empresas chinesas.
- Diversos candidatos à presidência defendem incentivos à instalação ou expansão de data centers no Brasil.
- Os planos de governo variam quanto à participação do Estado, investimentos estrangeiros e questões ambientais.
- Especialistas afirmam que expansão de infraestrutura tecnológica ajuda, mas não garante soberania digital.
Fontes
- BBC News Brasil imprensa





