Violência nos transportes do Rio afeta negócios, aponta apuração
Criminosos usam estratégias para bloquear rastreamento de cargas, elevando custos e insegurança
A série 'O Rio pode mais' revela como a violência impacta o transporte na Região Metropolitana, com roubos de carga, extorsões e uso de dispositivos ilegais pelos criminosos.
Segundo apuração do portal Página 99, a violência na região metropolitana do Rio de Janeiro tem elevado os custos e dificultado os negócios relacionados ao transporte de cargas. Dados revelam que, em 2025, foram registrados 3.113 roubos de carga — um número que, embora menor que o pico de 10.599 ocorrências em 2017, ainda mostra uma ameaça constante às operações logísticas na área. Caminhoneiros relatam que, ao final do dia, preferem parar antes do anoitecer para evitar assaltos e incidentes mais graves, uma prática que reflete o clima de insegurança que permeia as estradas.
Segundo fontes, criminosos e traficantes utilizam dispositivos chamados jammers — bloqueadores de sinais proibidos no Brasil — para impedir o rastreamento dos veículos durante as ações criminosas. Essas ações são conhecidas por eles como 'Chupa-cabra'. Quando ativados, esses bloqueadores fazem o caminhão desaparecer dos sistemas de monitoramento, dificultando a reação das empresas e a rápida intervenção das autoridades. Apesar do investimento de transportadoras em rastreadores, câmeras e sistemas de bloqueio remoto, essas estratégias dos criminosos evoluíram, tornando a segurança nas estradas ainda mais complexa.
Segundo relatos de caminhoneiros, as extorsões também fazem parte do cotidiano. Em pontos como Madureira e Seropédica, traficantes e grupos ligados às milícias cobram taxas que chegam a R$ 1.600 por veículo, fenômeno que, segundo setor, aumenta os custos de produção e encarece o transporte. Ainda segundo informações não confirmadas oficialmente, o impacto dessas ações estende-se à maior insegurança e ao aumento do preço final para consumidores e empresas da região.
Segundo uma pesquisa da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), cerca de dois terços dos empresários consideram a insegurança uma barreira para investimentos e crescimento econômico na área. Além do risco de assaltos, o medo de ficar parado ou ser vítima de violência força muitos motoristas a interromperem suas jornadas precocemente. César Pettres, que há 50 anos trabalha nas estradas e reside na Região Metropolitana de Curitiba, contou que retornou a dirigir após um período de aposentadoria, alegando que, na sua experiência, a situação nunca melhorou. Ele afirmou: "Eu acho o cúmulo. A gente vai morrer e não vai melhorar."
O estado enfrenta uma dinâmica complexa de criminalidade, com quadrilhas cada vez mais preparadas para dificultar o rastreamento e a apreensão de cargas roubadas. Ainda não há confirmação oficial sobre a quantidade exata de bloqueadores utilizados atualmente ou sobre a eficácia das novas tecnologias propostas pelas empresas para mitigar esse problema. Ainda assim, o quadro revela uma rotina de risco que impacta diretamente a economia local e a segurança de quem trabalha nas estradas.
O que sabemos?
- Em 2025, houve 3.113 roubos de carga na região metropolitana do Rio.
- Criminosos usam jammers, bloqueadores de sinais proibidos, para impedir o rastreamento de caminhões.
- Extorsões por traficantes e milícias chegam a R$ 1.600 por veículo em pontos como Madureira e Seropédica.
- Segundo fonte da reportagem, a insegurança afeta a decisão de parar antes do anoitecer por motivos de segurança.
- Transportadoras investem em tecnologia, mas criminosos também evoluíram suas estratégias.
Fontes
- G1 imprensa





