Policial

Soldados ucranianos ligam de volta para casa em Kiev: uma nova fase na guerra

Informações checadas ?

Mudança na estratégia de Putin aumenta o perigo na capital

Soldado ucraniano em linha de frente conversando ao telefone
Imagem: BBC News Brasil

Soldados ucranianos na linha de frente começaram a ligar para suas famílias em Kiev para verificar a segurança, invertendo o fluxo tradicional de comunicação na guerra. Enquanto isso, intensificam-se os ataques russos à cidade, atingindo alvos civis.

Em um movimento surpreendente que aponta uma mudança tática no conflito entre Rússia e Ucrânia, relatos indicam que soldados ucranianos na linha de frente passaram a realizar ligações para suas casas em Kiev para verificar se suas famílias estão seguras. Segundo um morador da capital, essas ligações representam um sinal de como a situação na cidade mudou: "As pessoas, agora, comentam que Kiev é uma cidade da linha de frente", conta Peter Dickinson, ao Serviço Mundial da BBC. Ele acrescenta que, atualmente, Kiev é considerada tão perigosa, ou até mais, do que as cidades que ficam próximas às áreas de combate direto.

Esse fenômeno evidencia uma estratégia russa que vem se intensificando nas últimas semanas, com ataques cada vez mais frequentes com mísseis e drones dirigidos à capital e a outras cidades importantes do país. Essas ações, amplamente divulgadas, têm causado danos a alvos civis, incluindo escolas, hospitais, hotéis, centros de dados, trens e pontes. No dia 30 de setembro, por exemplo, drones russos danificaram duas lojas próximas a Kiev, enquanto um dia depois, uma escola no distrito de Solomianskyi foi atingida por um drone. Na mesma semana, um centro comercial em Odessa, no sudoeste, também sofreu ataques. Não há confirmação oficial sobre os objetivos militares dessas ofensivas, mas o ministro da Defesa da Rússia afirmou que essas construções civis estavam sendo usadas para produzir ou armazenar armas, defendendo que o foco do país é atacar apenas instalações militares e da indústria de defesa.

Contudo, o impacto para os civis é alarmante. Segundo Dmytro Lubinets, comissário de Direitos Humanos do Parlamento ucraniano, entre janeiro e agosto deste ano, 15.280 civis foram mortos ou feridos pelos ataques russos, um aumento de 55% em relação ao mesmo período do ano passado. Esses dados reforçam a crescente preocupação internacional com a intensidade e o impacto dos bombardeios sobre as populações civis, que continuam pagando um preço alto nessa guerra que, há meses, não dá sinais de arrefecimento.

Assim, enquanto as estratégias de guerra mudam e as linhas de comunicação se invertam, o que fica claro é a gravidade da situação em Kiev e no restante da Ucrânia. A mudança na rotina dos soldados e o aumento dos ataques civis indicam que a guerra se torna mais complexa e perigosa, mantendo a população ucraniana em um estado de alerta constante — uma realidade que, ainda, está sendo mapeada e analisada pelas autoridades e analistas internacionais.

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O que sabemos?

  • Soldados ucranianos passaram a ligar para suas famílias em Kiev para verificar segurança.
  • Kiev é considerada uma cidade na linha de frente do conflito.
  • Rússia intensificou ataques com mísseis e drones a Kiev e outras cidades.
  • Ataques civis de drones e mísseis atingiram escolas, hospitais, centros comerciais, e outros alvos civis.
  • De janeiro a agosto, 15.280 civis foram mortos ou feridos pelos ataques russos, aumento de 55% em relação ao ano passado.

Fontes

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