Reino Unido anuncia sanções inéditas contra assentamentos israelenses e acusações de 'limpeza étnica'
País limitará importação de produtos de assentamentos na Cisjordânia, enquanto críticos reforçam a gravidade da situação
O Reino Unido revelou um conjunto de sanções sem precedentes contra assentamentos israelenses na Cisjordânia, acusando-os de praticar 'limpeza étnica'. A medida inclui a proibição de importação de produtos provenientes dessas áreas, numa reação às crescentes tensões e construção de novas residências.
Em um movimento que chamou atenção internacional, o ministro das Relações Exteriores do Reino Unido anunciou nesta terça-feira (08/09) a implementação de sanções inéditas contra assentamentos israelenses na Cisjordânia. Segundo a fonte, Edward Miliband, o país passará a proibir a importação de produtos originários desses assentamentos considerados ilegais pelo direito internacional, numa tentativa de pressionar por mudanças na região. Durante seu discurso no Parlamento, Miliband afirmou que uma "limpeza étnica" está sendo perpetrada por "colonos terroristas" na área, acusando o governo israelense de fazer "vista grossa" para tais ações.
O anúncio acontece num momento de crescente escalada de tensões, com Israel planejando a construção de aproximadamente 1.2 mil novas residências na Cisjordânia. Dados da ONU indicam também que os ataques de colonos contra palestinos têm aumentado este ano, reforçando a preocupação internacional. Ainda de acordo com a fonte, o Reino Unido afirmou que irá adotar medidas contra empresas e indivíduos que financiem ou participem de atividades relacionadas à expansão desses assentamentos, incluindo a recusa de pedidos de licença para exportações de armas e outros materiais que contribuam para a ocupação.
O ministério das Relações Exteriores britânico destacou que as sanções não atingem Israel como um todo, mas especificamente os assentamentos ilegais na Cisjordânia. Além disso, Miliband pediu que Israel suspenda uma prática considerada prejudicial à viabilidade do diálogo de paz: a retenção de receitas financeiras necessárias para manter serviços essenciais na região. Segundo ele, esta ação inviabiliza a rotina na área, dificultando avanços em direção a uma solução de dois Estados plenamente funcional.
O anúncio britânico também contou com o apoio de outros países. França, Canadá, Holanda, Irlanda, Bélgica, Espanha, Noruega, Dinamarca, Finlândia, Islândia, Polônia, Portugal e Suécia declararam seu compromisso em adotar medidas semelhantes contra os produtos originados de assentamentos considerados ilegais. Ainda não há confirmação oficial de uma ação coordenada internacional, mas a tendência demonstra um movimento de maior rigor frente à situação na Cisjordânia, que se agravou também em relação à violência de colonos contra palestinos.
Por outro lado, o governo de Israel manifestou-se contra a medida britânica. Ainda não oficialmente, o presidente israelense teria classificado a iniciativa como um "grave erro de cálculo", enquanto o embaixador dos Estados Unidos em Israel afirmou, sem confirmação oficial, que empresas britânicas poderiam ter seus negócios proibidos em alguns estados americanos devido às sanções previstas. As ações geram preocupação de que a escalada de tensões possa dificultar ainda mais as chances de uma solução pacífica e duradoura para o conflito na região.
O que sabemos?
- Reino Unido proibirá importação de produtos de assentamentos na Cisjordânia.
- Miliband afirmou que 'limpeza étnica' ocorre na região, perpetrada por colonos.
- Sanções incluem restrições a empresas e indivíduos que financiem assentamentos.
- Reino Unido pede suspensão da retenção de receitas por Israel.
- Outros países, incluindo França e Canadá, apoiarão medidas similares.
- Israel e EUA ainda não se pronunciaram oficialmente sobre o anúncio.
Fontes
- BBC News Brasil imprensa




