Policial

Relatório revela rede de crimes em garimpos no Amazonas com impacto ambiental e social

Em apuração ?

Investigações apontam extração ilegal de ouro, exploração de trabalho escravo e influência de facções criminosas

Imagem: G1

Um relatório do MPF do Amazonas detalha uma complexa rede de crimes envolvendo garimpos ilegais, impacto ambiental e atividades ilícitas em áreas remotas do estado.

Um relatório do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Federal no Amazonas, divulgado recentemente, revelou uma complexa rede de crimes envolvendo garimpos ilegais na região. Segundo fonte única, o documento aponta a extração de mais de 290 quilos de ouro em dois casos distintos, além de destacar a presença de trabalho em condições análogas à escravidão e o uso de substâncias tóxicas como mercúrio e cianeto no beneficiamento do minério.

De acordo com informações obtidas pelo portal, as investigações se concentraram em operações como Jurupari e Barões do Filão, ambas voltadas a desmantelar atividades ilegais em áreas de difícil acesso do Amazonas. No caso do Jurupari, a extração foi estimada em pelo menos 219 quilos de ouro, praticada por uma organização criminosa que, ao longo de aproximadamente três anos, movimentou valores que o MPF calcula em torno de R$ 1,5 bilhão, representando danos ambientais gigantescos. Ainda segundo a fonte, empresas e terceiros eram usados como fachada para garantir a aparência de legalidade às operações, além de tentarem justificar a circulação de valores elevados e ocultar a origem do ouro.

Outro destaque do relatório é a prisão de quatro advogados, integrantes do comando do crime organizado e suspeitos de ligação com o Comando Vermelho, uma das maiores facções criminosas do país. Ainda segundo a investigação, a atuação deles reforça a presença de atividades ilícitas estruturadas e com influência direta na fronteira com outros países, como Venezuela e Colômbia. A operação que identificou essas ações foi a Barões do Filão, deflagrada em agosto de 2025, e resultou na apreensão de cerca de 71,1 quilos de ouro e na descoberta de uma estrutura completa de operação, incluindo a direção do garimpo, segurança armada, administração financeira e comercialização do minério.

Durante as investigações, um militar do Exército também foi identificado. Segundo relatos, um tenente-coronel chamado Abimael Alves Pinto teria avisado garimpeiros sobre uma operação policial na região de São Gabriel da Cachoeira, na fronteira com Venezuela e Colômbia, via mensagens de áudio que tiveram seu sigilo telefônico quebrado pelos investigadores. Ainda não há confirmação oficial sobre a defesa do militar ou seu eventual envolvimento além da suposta informação preditiva às atividades ilegais, que reforça a suspeita de influência de figuras de fora do sistema criminal, ligados às forças armadas ou a planos de inteligência clandestina.

Por fim, o relatório também aponta que, além da extração ilegal de ouro, há o uso de trabalho precário, com 56 trabalhadores submetidos a condições próximas às da escravidão, além de crimes ambientais relacionados ao uso indiscriminado de substâncias tóxicas na atividade mineradora. Ainda aguardamos confirmações oficiais e possíveis posicionamentos do Exército e do Ministério Público acerca dessas denúncias, que ainda não tiveram resposta oficial até o momento.

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O que sabemos?

  • Há uma rede de crimes relacionada à extração ilegal de ouro no Amazonas.

Fontes

  • G1 imprensa
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