Policial

Especialista aponta a necessidade de qualificação no uso da força policial no Brasil

Em apuração ?

Dados mostram aumento de mortes por intervenção policial e a importância de medidas de prevenção

Policial em abordagem com pistola de choque durante operação
Imagem: CNN Brasil

Segundo o 20º Anuário de Segurança Pública, em 2025, o Brasil registrou mais de 6,6 mil mortes decorrentes de intervenção policial. Especialistas destacam que melhorias na formação e no equipamento dos agentes podem reduzir esses números.

O Brasil vive um desafio constante na área de segurança pública, com números alarmantes de mortes decorrentes de intervenção policial. Segundo dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o país registrou 6.602 mortes por intervenção policial em 2025, um aumento preocupante que evidencia a gravidade da situação. Apesar desses números, pesquisas do Instituto Sou da Paz revelam que 94% dos brasileiros consideram suas cidades violentas, indicando um paradoxo entre a percepção da violência e as estatísticas oficiais.

Em entrevista ao Live CNN, a diretora do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo, afirmou que é fundamental qualificar o padrão do uso da força pelas polícias no país. Segundo ela, melhorias no treinamento e o investimento em equipamentos menos letais, como pistolas de choque, podem fazer toda a diferença. Como exemplo, ela cita a experiência de São Paulo entre 2020 e 2022, período em que a redução na letalidade policial esteve relacionada à implementação do uso de pistolas de choque. “Se o policial só tem arma de fogo, ele usa essa arma e corre o risco de matar, mesmo que a intenção seja proteger uma mulher que está sendo ameaçada pelo parceiro. Com uma pistola de choque, ele consegue agir de forma mais segura e proteger sem precisar recorrer à morte”, explica Carolina.

Ela reforça que o controle da violência não passa apenas por melhorias táticas, mas também por mudanças nas políticas públicas e na gestão dentro das próprias corporações. A especialista destaca ainda a necessidade de transformar a abordagem na execução penal, além de reforçar que o aumento de penas por si só é ineficaz para reduzir os índices de criminalidade. Para ela, o foco deve estar no fortalecimento da investigação policial, especialmente na Polícia Civil, e na implementação de medidas preventivas. Nesse sentido, destaca-se a necessidade de ações integradas que envolvam decisões políticas corretas e investimentos em saúde mental para os policiais, prevenindo abusos e acidentes.

Outro ponto levantado por Carolina Ricardo é o paradoxo em relação ao sentimento de insegurança. Apesar de alguns indicadores mostrarem queda em certos crimes, como homicídios e delitos patrimoniais, a sensação de vulnerabilidade persistente sensibiliza a população. Ela atribui essa percepção ao aumento de crimes digitais, especialmente o roubo de celulares, que tem sido cada vez mais violento e causa prejuízos irreparáveis às pessoas. O impacto da exposição constante às notícias de violência nas redes sociais também contribui para esse cenário, alimentando uma sensação de insegurança generalizada.

Por fim, a especialista alerta para o momento delicado das campanhas eleitorais, salientando a importância de os eleitores avaliarem criticamente os planos de governo, desconfiando de propostas que priorizam o endurecimento das leis, pois, na visão dela, isso não resolve o problema criminal. “Aumentar penas é uma estratégia que já foi usada no Brasil há anos e, na prática, não trouxe melhorias significativas. O mais importante é investir na investigação, na prevenção e em ações que realmente combatam a origem da violência”, conclui Carolina Ricardo.

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O que sabemos?

  • Brasil teve 6.602 mortes por intervenção policial em 2025, segundo o Anuário de Segurança Pública.
  • 94% dos brasileiros consideram suas cidades violentas, de acordo com o Instituto Sou da Paz.
  • Especialistas defendem qualificação do uso da força policial e investimento em equipamentos menos letais.
  • Dados indicam que a redução de violência está relacionada a melhorias na abordagem policial, como o uso de pistolas de choque.
  • Percepção de insegurança permanece alta devido a crimes digitais e notícias de violência nas redes sociais.

Fontes

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