Caso Márcio Canella reacende memória de deputados presos em 2018 no Rio de Janeiro
Prisão de deputado eleito pelo União Brasil levanta dúvidas sobre processos judiciais e eleições na Alerj
A prisão preventiva do deputado estadual eleito Márcio Canella ocorreu durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, investigando esquema suspeito de movimentar bilhões em postos de combustíveis. Assim como cinco deputados reeleitos em 2018 foram presos na Operação Furna da Onça, o caso pode influenciar discussões sobre a posse parlamentar no Rio de Janeiro.
Na manhã desta sexta-feira (16), a prisão preventiva do deputado estadual eleito Márcio Canella, do União Brasil, foi mantida pela Justiça após sua detenção na quinta-feira (15) pela Polícia Federal, durante a oitava fase da Operação Unha e Carne. Segundo fontes do caso, a operação investiga um esquema suspeito de movimentar aproximadamente R$ 7,6 bilhões envolvendo postos de combustíveis no país, uma investigação de grande repercussão na área policial e anticorrupção.
O episódio traz à memória uma situação semelhante ocorrida em 2018, quando cinco deputados estaduais do Rio de Janeiro foram presos após reeleição, na Operação Furna da Onça. Na ocasião, deputados como André Corrêa, Luiz Martins, Marcus Abrahão, Marcus Vinícius Neskau e Chiquinho da Mangueira tiveram suas prisões decretadas logo após a confirmação dos votos, enfrentando uma disputa judicial que envolveu questionamentos sobre a posse e o exercício do mandato enquanto estavam presos. Segundo informações da época, eles tiveram seus diplomas entregues por procuração e tomaram posse na Câmara Legislativa, mas a decisão foi contestada pelo Ministério Público e suspensa posteriormente, gerando uma crise institucional na Alerj.
Em relação a Márcio Canella, o caso também envolve uma disputa judicial sobre sua candidatura. Apesar de seu registro ter sido contestado pelo Ministério Público Eleitoral, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) o liberou para concorrer às eleições de 2026, nas quais recebeu quase 200 mil votos, tornando-se o segundo mais votado na sua categoria. Ainda não há confirmação de que ele possa realmente assumir o mandato caso continue preso até o início da próxima legislatura, prevista para fevereiro de 2027. Além disso, a defesa de Canella afirmou confiar na Justiça, enquanto o clube político ao qual pertence ainda não se pronunciou oficialmente sobre os desdobramentos do caso.
A história dos cinco deputados presos em 2018 evidencia as complexidades jurídicas envolvidas na posse de candidatos sob prisão preventiva. A semana passada, a atuação da Justiça na prisão de Canella reforça a discussão sobre quais procedimentos são adotados em momentos de investigação e como estes afetam a formalização do mandato parlamentar. Segundo fontes, o episódio será acompanhado com atenção, pois pode servir de precedente para casos semelhantes envolvendo processos criminais e eleições no Rio de Janeiro.
O cenário é ainda mais delicado diante do questionamento se os deputados eleitos, que recebem votos expressivos, poderão exercer seus mandatos enquanto permanecem sob prisão preventiva. A Justiça decidiu na época que a posse poderia ocorrer por procuração, mas isso gerou resistência do Ministério Público. Ainda não há uma decisão final sobre o caso de Canella, que aguarda recursos que podem modificar sua elegibilidade e eventual posse, além de influenciar o debate sobre a integridade do processo eleitoral e administrativo na capital fluminense.
O que sabemos?
- Márcio Canella teve prisão preventiva mantida em 16 de março de 2027
- Canella foi detido pela Polícia Federal em 15 de março de 2027
- Ele recebeu 197.178 votos nas eleições de 2026, segunda maior votação do Rio de Janeiro
- O caso está ligado à Operação Unha e Carne, que investiga esquema de R$ 7,6 bilhões em postos de combustíveis
- Sem confirmação oficial sobre a posse de Canella caso continue preso até fevereiro de 2027
Fontes
- G1 imprensa





