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Polêmicas envolvendo cineastas premiados em Veneza alimentam debate em Israel

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Ministro busca retirar cidadania de realizadores após documentário crítico ao Exército

Cena do documentário "Naza" com depoimentos de militares israelenses
Imagem: Folha de S.Paulo

Um documentário que relata alegações de ataques israelenses a civis em Gaza levou o governo a explorar medidas rígidas contra seus criadores.

Um episódio recente envolvendo o premiado documentário "Naza" trouxe à tona discussões sobre liberdade de expressão, patriotismo e limites do Estado de Israel. Segundo fontes, o ministro da Cultura de Israel declarou neste domingo (13) que pretende revogar a cidadania dos cineastas responsáveis pelo filme, acusando-os de "traição ao Estado". A obra, dirigida por jornalistas israelenses, inclui depoimentos de 24 integrantes das forças armadas israelenses que dão conta de bombardeios contra civis palestinos na Faixa de Gaza, utilizando sistemas alimentados por inteligência artificial.

Na semana passada, "Naza" recebeu o prêmio especial do júri no Festival de Cinema de Veneza, aumentando sua visibilidade internacional. Porém, a repercussão que o documentário gerou no próprio Israel foi controversa. Segundo o próprio ministro Miki Zohar, a intenção é agir de forma rápida e abrangente: "Vou agir imediatamente para revogar a cidadania israelense desses desprezíveis criadores por traição ao Estado". Ele alegou que os cineastas estariam tentando prejudicar a imagem do país para obter aplausos de supostos antissemitas ao redor do mundo. Ainda de acordo com ele, a medida de retirar a nacionalidade é possível e, em Israel, embora raro, já foi aplicada anteriormente, especialmente em casos de espionagem ou traição. Em 2022, a Suprema Corte do país confirmou que a legislação autorizava a retirada da cidadania de pessoas consideradas desleais, e tal legislação foi ampliada em 2023 para incluir condenados por "terrorismo".

Até o momento, o clube oficial no qual o governo israelense mantém a sua posição sobre o assunto não se pronunciou oficialmente, e o próprio Ministério da Cultura ainda não detalhou os passos concretos para a possível retirada da cidadania. Fontes indicam que, legalmente, tal medida pode ser adotada, embora sua aplicação seja incomum. O episódio reacende o debate sobre até que ponto o Estado pode intervir na liberdade artística e na liberdade de expressão, especialmente quando produz obras que criticam ações militares ou governamentais. Ainda não há confirmação de que alguma ação concreta foi tomada contra os cineastas, nem detalhes sobre possíveis consequências legais para eles.

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O que sabemos?

  • Ministro da Cultura de Israel anunciou intenção de retirar cidadania de cineastas do documentário "Naza".
  • O documentário inclui depoimentos de 24 militares israelenses acusando ataques a civis palestinos em Gaza.
  • "Naza" recebeu prêmio especial do júri no Festival de Cinema de Veneza.
  • O ministro afirmou que agirá para revogar a cidadania por "traição ao Estado".
  • Legislação israelense permite a retirada de cidadania de pessoas consideradas desleais, como em casos de espionagem, traição ou terrorismo.

Fontes

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