Dados do MPPE apontam aumento na letalidade policial em Pernambuco nos últimos anos
Relatório revela que 70% das vítimas de intervenções policiais são pretas ou pardas, com destaque para 2023 como o ano mais letal
Desde 2022, mais de 400 mortes em ações policiais foram registradas em Pernambuco, com o ano passado tendo o maior índice de vítimas. O levantamento é do Ministério Público de Pernambuco e reforça a necessidade de revisão de protocolos na Polícia Militar.
Segundo um levantamento divulgado recentemente pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE), nos últimos quatro anos, 418 pessoas foram mortas em intervenções policiais no estado. Os dados abrangem o período de janeiro de 2022 até junho de 2026 e revelam um cenário preocupante de letalidade policial, com um número crescente de vítimas, especialmente em 2023, considerado o ano mais violento nesse sentido. Conforme a análise do promotor de Justiça Francisco Ortêncio de Carvalho, o acompanhamento dessas ocorrências permite observar variações na letalidade, facilitando uma compreensão mais clara do panorama e o acesso da sociedade às informações.
O levantamento aponta que, dessas 418 vítimas, ao menos 267 eram pardas e 29 eram pretas, somando 296 mortos, o equivalente a 70% do total. Ainda de acordo com os dados, em 2023 foram registradas 125 mortes, enquanto até junho de 2026, mais de 35 vítimas já foram contabilizadas, todas elas pardas ou pretas. Outros anos também apresentaram altos números: 93 vítimas em 2022, 75 em 2024 e 90 em 2025. Além das vítimas, o estudo indica as unidades policiais com maior número de ocorrências, sendo o Batalhão Especializado de Policiamento no Interior (Bepi), com 47 registros, seguido pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope), com 34, e o Batalhão de Polícia de Radiopatrulha (BPRP), com 21 casos.
O promotor avaliou que o controle da violência policial apresenta um “dinamismo” que varia ao longo do tempo, sendo necessário que tanto as instituições quanto a sociedade participem do monitoramento. Uma das recomendações feitas por especialistas ouvidos pela TV Globo é a revisão dos protocolos de atuação da Polícia Militar, visando reduzir a letalidade e evitar mortes injustificadas. Além disso, o painel do MPPE acompanha não só os números de mortes, mas também o andamento de cada caso: das 337 ocorrências registradas, 221 já foram arquivadas, 70 continuam sob investigação e 46 tiveram denúncia formalizada, revelando esforços do Ministério Público em apurar cada incidente para verificar a legalidade da atuação policial.
Entre os fatos mais recentes, está a denúncia de uma operação em que um homem morreu após ser baleado por policiais encapuzados dentro de sua própria casa, além de outros episódios envolvendo a morte de jovens por tiros de policiais em comunidades de Olinda e Camaragibe. Ainda sem confirmação oficial, a repercussão desses casos reforça o debate acirrado sobre o uso da força por parte das forças de segurança no estado e a necessidade de medidas concretas para evitar episódios de violência que resultam em mortes. Apesar de o levantamento apontar alta incidência de vítimas pardas e pretas, ainda não há uma posição oficial concreta sobre as providências específicas que o governo ou as forças policiais irão tomar para reverter esse cenário alarmante.
O que sabemos?
- Nos últimos 4 anos, 418 mortes em intervenção policial em Pernambuco.
- 2023 foi o ano com maior número de vítimas, 125.
- 70% das vítimas são pessoas pretas ou pardas, totalizando 296 mortes.
- Até junho de 2026, mais de 35 vítimas registradas, todas pardas ou pretas.
- As unidades com maior número de vítimas são Bepi, Bope e BPRP.
Fontes
- G1 imprensa




